Na sexta-feira, promotores da Tanzânia acusaram dezenas de pessoas de traição por seus supostos papéis na violência relacionada às eleições contestadas no país.
A denúncia identificou 76 suspeitos acusados de tentar obstruir as eleições de 29 de outubro “com o objetivo de intimidar” as autoridades em Dar es Salaam, a capital comercial.
Além da acusação de traição, os suspeitos também enfrentam acusações de conspiração criminosa.
A Tanzânia está em meio à violência após uma eleição que, segundo observadores internacionais, não foi livre nem justa. As autoridades enfrentam questionamentos sobre o número de mortos depois que as forças de segurança tentaram conter tumultos e protestos da oposição no país da África Oriental.
O principal partido da oposição, Chadema, afirmou que mais de 1.000 pessoas foram mortas e disse na terça-feira que as forças de segurança estavam tentando esconder a dimensão das mortes, descartando os corpos secretamente.
A presidente Samia Suluhu Hassan, que assumiu o cargo em 2021 após a morte de seu antecessor, obteve mais de 97% dos votos, segundo a apuração oficial. Seus principais rivais, Tundu Lissu, do Chadema, e Luhaga Mpina, do ACT-Wazalendo, foram impedidos de concorrer em um cenário que grupos de direitos humanos descreveram como de repressão. Houve desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias e execuções extrajudiciais, de acordo com a Anistia Internacional. O governo da Tanzânia nega as acusações.
A União Africana afirmou esta semana que seus observadores concluíram que a eleição “não cumpriu os princípios, as estruturas normativas e outras obrigações e padrões internacionais da UA para eleições democráticas”.
Observadores da UA relataram fraude eleitoral em diversas seções eleitorais e casos em que eleitores receberam múltiplas cédulas. O ambiente em torno da eleição “não era propício à conduta pacífica e à aceitação dos resultados eleitorais”, afirmou o comunicado.
