Traoré, de Burkina Faso, rejeita a democracia e estende o regime militar.

Quase quatro anos após tomar o poder, o líder militar de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, está convocando os cidadãos a abandonarem os ideais democráticos.

Em um discurso recente, Traoré criticou a democracia, considerando-a prejudicial às nações africanas e argumentando que ela falhou em proteger os civis em meio à violência contínua. Suas declarações ocorrem em um momento em que seu governo continua a consolidar o poder após o golpe de 2022 que o levou à liderança.

Desde então, a junta militar tem desmantelado progressivamente as principais instituições democráticas. A comissão eleitoral foi dissolvida e todos os partidos políticos, já suspensos desde o golpe, foram agora formalmente proibidos. As autoridades também prolongaram o período de transição para um governo civil em cinco anos, adiando o prometido retorno à democracia, inicialmente previsto para meados de 2024.

Burkina Faso continua assolada por quase uma década de violência jihadista que matou milhares e deslocou milhões, uma crise que o governo militar afirma exigir um forte controle centralizado.

No entanto, as Nações Unidas instaram as autoridades a reverter a proibição dos partidos políticos e a restaurar as liberdades civis, alertando que a redução do espaço político poderá desestabilizar ainda mais o país.

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