Cada angolano deve mil e 310 USD ao estrangeiro, apesar da redução do peso da dívida à China

A dívida pública externa de Angola reduziu-se em 508 milhões de dólares norte-americanos no primeiro semestre de 2025, passando de 47,9 mil milhões para 47,4 mil milhões USD, segundo dados do Ministério das Finanças divulgados pelo semanário Expansão.

A dívida pública externa de Angola reduziu-se em 508 milhões de dólares norte-americanos no primeiro semestre de 2025, passando de 47,9 mil milhões para 47,4 mil milhões USD, segundo dados do Ministério das Finanças divulgados pelo semanário Expansão. Mesmo assim, cada um dos 36,2 milhões de cidadãos angolanos continua a carregar o equivalente a 1.310 USD de dívida per capita.

A análise mostra que a exposição à China sofreu uma diminuição significativa. Enquanto em 2017 cada angolano devia, em média, 818 USD ao gigante asiático, em Junho de 2025 esse valor caiu para 371 USD. A descida resulta da liquidação acelerada de empréstimos do tipo oil-backed, garantidos por receitas petrolíferas, que marcaram a relação financeira entre Luanda e Pequim ao longo das últimas duas décadas.

Apesar do recuo, a dívida externa continua a ser um factor de pressão sobre a economia nacional. Analistas alertam que, sem crescimento económico sustentado e inclusivo, a redução do endividamento tende a traduzir-se em maior esforço fiscal, compressão do investimento público e dificuldades acrescidas para empresas e famílias.

A trajectória recente, contudo, indica um esforço governamental de diversificação das fontes de financiamento e de menor dependência da China, que foi durante anos o principal credor bilateral de Angola. Ao diminuir a exposição a um único parceiro, o Executivo procura reforçar a margem de manobra financeira do País e criar condições para que a sustentabilidade da dívida acompanhe as metas de desenvolvimento económico e social.

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