MANILA, Filipinas (AP) — Um estudante do ensino médio, portando duas pistolas, matou a tiros um colega antes de se suicidar na terça-feira, em um ataque ocorrido em um campus de uma escola no sul das Filipinas. O ataque foi transmitido ao vivo por ele usando uma câmera corporal, informaram a polícia e outras autoridades. Foi o segundo tiroteio fatal em uma escola no país em apenas dois meses.
Centenas de estudantes foram evacuados após disparos no prédio do ensino médio do campus universitário Ateneo de Zamboanga, na cidade portuária de Zamboanga, no sul do país. Outras duas pessoas ficaram feridas, informaram a polícia e autoridades municipais.
O suspeito, identificado pela polícia como Mohammad Mael Jalani, aluno do 9º ano, atirou em um professor que estava sentado em frente a uma sala de aula, mas aparentemente errou o alvo. Em seguida, ele atirou em um aluno no quarto andar do prédio antes de subir um andar e se suicidar, informou a polícia em um relatório inicial.
“Ele entrou e começou a atirar indiscriminadamente, atingindo um aluno do 10º ano no quarto andar, depois foi para o quinto andar, pulou do prédio e cometeu suicídio”, disse o secretário do Interior, Jonvic Remulla, a repórteres.
“Ele mostrou isso no Facebook Live, começando quando estava subindo as escadas, mas só havia trechos”, disse Remulla. “Vamos analisar o histórico de jogos e o histórico de bate-papo dele, então não podemos chegar a uma resposta completa sobre o porquê disso ter acontecido até que façamos uma análise forense completa.”
O prefeito da cidade de Zamboanga, Khymer Adan Olaso, e a polícia disseram que o suspeito atirou em si mesmo.
O prédio do ensino médio, onde ocorreu o ataque a tiros, fica em um campus de segurança reforçada, separado do campus maior da universidade católica particular, onde estão localizadas suas faculdades e escolas profissionalizantes em Zamboanga. Uma das maiores e mais prestigiadas universidades do sul, a Ateneo suspendeu as aulas em todos os níveis na terça e quarta-feira após o ataque.
Joe Darryl Jaron acabara de levar seu filho para a escola quando ouviu os tiros, o que fez com que os alunos gritassem em pânico e corressem para se proteger. Ele filmou a confusão e postou o vídeo no Facebook. “Há tiros aqui no Ateneo, socorro! Socorro!”, escreveu ele.
Poucas horas após o tiroteio, a polícia informou que a situação estava sob controle. Pediram aos pais e responsáveis dos alunos que mantivessem a calma e seguissem as orientações e instruções da escola para buscar seus filhos.
“As autoridades estão apurando as circunstâncias do incidente”, disse o chefe da polícia nacional, General José Melencio Nartatez Jr. A polícia “fornecerá informações verificadas conforme apropriado e apela ao público para que se abstenha de compartilhar relatos, fotos ou vídeos não confirmados que possam causar preocupação desnecessária”.
A polícia nacional “assegura ao público que a segurança e o bem-estar da comunidade escolar continuam sendo uma prioridade. Agradecemos à administração da escola, aos pais, responsáveis e à comunidade pela paciência, cooperação e compreensão enquanto as autoridades continuam a gerenciar a situação”, disse Nartatez.
Uma das pistolas portadas pelo suspeito pertencia ao seu pai, que era comandante da polícia alfandegária em Zamboanga, informou o vice-comissário da Alfândega, Nolasco Bathan, a jornalistas. Ele acrescentou que recomendou a suspensão temporária do pai, que poderá enfrentar acusações administrativas por não ter guardado adequadamente a pistola fornecida pelo governo.
O tiroteio ocorreu apesar das garantias da polícia de que a segurança nas escolas de todo o país seria reforçada após um tiroteio em junho, no qual três estudantes do ensino médio foram mortos e pelo menos 20 ficaram feridos na cidade de Tacloban, no centro do país. A polícia prendeu dois estudantes, de 14 e 15 anos, e os acusou de terem realizado o tiroteio.
Crimes envolvendo o uso de armas de fogo são comuns nas Filipinas, em parte devido à proliferação de armas de fogo sem licença, mas tiroteios em escolas são relativamente raros.
Dias após o tiroteio na escola em Tacloban, as autoridades filipinas anunciaram o bloqueio temporário de um aplicativo de jogos online para avaliar se ele havia contribuído para a disseminação da violência. O Centro de Investigação e Coordenação de Crimes Cibernéticos afirmou que a decisão de bloquear o Gorebox por tempo indeterminado foi motivada por uma investigação policial em andamento, que apontou que um dos suspeitos era um usuário assíduo do aplicativo.
O tiroteio nas Filipinas também ocorreu menos de duas semanas depois de um tiroteio em uma escola na Tailândia.
O primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, tomou medidas para restringir o porte de armas no país do Sudeste Asiático depois que um menino de 14 anos matou seus avós, cinco funcionários da escola e uma menina de 12 anos na província de Nonthaburi, nos arredores de Bangkok.
A Tailândia possui uma alta taxa de posse de armas de fogo, perdendo apenas para o Paquistão na Ásia, e superando em muito a de seus vizinhos do Sudeste Asiático.
