As autoridades nigerianas prenderam uma personalidade das redes sociais que, segundo elas, era uma figura importante em uma operação internacional de tráfico de cocaína, após a apreensão de 184,5 kg da droga em Lagos.
Afolabi Kazeem Micheal, de 49 anos, foi detido no Aeroporto Internacional Murtala Mohammed, em Lagos, no dia 13 de agosto, segundo a Agência Nacional de Combate às Drogas (NDLEA). Ele estava prestes a viajar para Paris com uma passagem de classe executiva.
A prisão ocorreu 10 dias depois de agentes interceptarem a cocaína em uma central de distribuição em Lagos. A NDLEA afirmou que as drogas, avaliadas em quase US$ 28 milhões (R$ 21 milhões), seriam exportadas para o Reino Unido.
Michael, que usa o nome “KC Luxury” online, tem cerca de 700 mil seguidores no Instagram. Suas redes sociais o retratam como um empresário do ramo de ouro e produtos de luxo.
Mas os investigadores o acusam de ter um papel muito diferente: alegadamente, de coordenar parte de uma rota de tráfico que transportava cocaína da América do Sul, passando pela Nigéria, para mercados na Europa e na Ásia.
Ele não se pronunciou publicamente sobre as acusações e não foi indiciado em tribunal.
Descobrindo a remessa
A cocaína foi encontrada em 3 de agosto dentro de caixas marrons em uma empresa de entregas em Lagos, informou a NDLEA.
Segundo a agência, a remessa estava ligada a uma rede internacional mais ampla que utilizava a Nigéria como rota para transportar cocaína para a Grã-Bretanha, outros países da Europa e para a Ásia.
Os investigadores posteriormente ligaram Michael à operação e descobriram que ele planejava deixar a Nigéria.
O presidente da NDLEA, Buba Marwa, disse que os agentes o interceptaram no aeroporto antes que ele pudesse embarcar em seu voo para a capital francesa.
As autoridades disseram ter encontrado mais de US$ 12.840 em dinheiro vivo com ele, em euros, libras esterlinas e nairas nigerianas. Também relataram ter encontrado joias de alto valor, que, segundo a agência, podem estar ligadas aos lucros da suposta operação de tráfico.
Trabalhador de logística detido
A investigação também levou à prisão de um segundo homem, Lawal Mujab Kehinde, de 33 anos.
A NDLEA alega que Kehinde trabalhava para uma empresa de logística usada para transportar a cocaína. Os investigadores afirmam que ele ajudava a preparar as drogas para envio e era pago em dinheiro vivo.
Kehinde não se manifestou publicamente sobre as alegações e não foi acusado formalmente em tribunal.
As autoridades nigerianas também afirmam que prisões relacionadas à suposta rede foram efetuadas no Reino Unido por agências policiais daquele país.
A NDLEA não divulgou mais detalhes sobre os indivíduos presos no exterior.
A investigação continua.
Marwa afirmou que o caso destacou a importância da cooperação entre as agências que investigam o tráfico internacional de drogas.
Ele afirmou que as autoridades nigerianas continuarão tentando identificar e prender outras pessoas que se acredita estarem envolvidas na operação.
As acusações contra Michael e Kehinde não foram comprovadas em juízo. Ambos permanecem presumidos inocentes até que se prove o contrário.
