Cristiano Ronaldo, de 41 anos, anunciou a retirada da selecção portuguesa de futebol, num vídeo divulgado nas redes sociais, na véspera da divulgação dos convocados para os últimos jogos de Portugal na Liga das Nações. A decisão motivou de imediato reacções de dirigentes, clubes e antigos companheiros e treinadores.
Um percurso de recordes
O avançado é o recordista mundial de jogos por selecções, com 234 internacionalizações ‘AA’, e de golos, com 146. Entre os pontos altos da carreira na selecção contam-se a conquista do Euro 2016, em França, e duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025. Antes disso, ficou a final de má memória do Euro 2004, disputado em Portugal.
A crise com Jorge Jesus
O anúncio surge depois de um episódio ocorrido a 30 de Setembro, quando Ronaldo abandonou o estágio da selecção na véspera do jogo com a Dinamarca, para a Liga das Nações, no início do ciclo de Jorge Jesus como seleccionador. O jogador, que foi titular diante do País de Gales e suplente não utilizado frente à Noruega, afirmou que Jesus lhe faltou à palavra mais do que uma vez. A atitude custou-lhe um castigo de 30 dias, já cumprido, e uma multa de 255 euros.
Reacções
O presidente do Sporting de Braga, António Salvador, considerou que Ronaldo "inspirou e inspira jogadores, treinadores, dirigentes e clubes". Notou ainda que os 23 anos do futebolista com a camisola de Portugal coincidem com os seus 23 anos na presidência do clube minhoto, e falou de "gratidão colectiva".
O Presidente da República, António José Seguro, disse que Ronaldo "arrumou as chuteiras da selecção", mas não "a sua dedicação e amor a Portugal". Já o presidente do Comité Olímpico de Portugal, Fernando Gomes, afirmou que o avançado deixou marca na "memória colectiva de um país".
O Nacional, clube da Madeira onde Ronaldo jogou na formação entre 1995 e 1997, agradeceu "ao homem e ao atleta" que representou o país durante mais de duas décadas, e recordou ter tido o "privilégio de o formar".
O antigo avançado Hugo Almeida, que marcou 19 golos em 57 jogos por Portugal, disse ter ficado "muito triste" e defendeu que Ronaldo merecia "uma despedida digna de rei". Apoiou, porém, a decisão, caso o jogador esteja em paz com ela. Recordou ainda um colega "amável, tranquilo e brincalhão" e apontou como jogo mais marcante o triunfo sobre a Suécia, a 19 de Novembro de 2013, em que um ‘hat-trick’ de Ronaldo garantiu a ida ao Mundial de 2014.
O brasileiro Luiz Felipe Scolari, seleccionador de Portugal entre 2003 e 2008 e actual coordenador técnico do Grémio, considerou que o jogador "tomou a decisão correcta". Foi Scolari quem o convocou pela primeira vez, em Agosto de 2003, quando Ronaldo tinha 17 anos e jogava no Sporting. Descreveu-o como um dos melhores profissionais que treinou.
Com informação de Notícias ao Minuto — Desporto, ge — Globo Esporte.
