A vitória dos democratas nas eleições intercalares de terça-feira, que lhes entregou o controlo do Senado e da Câmara dos Deputados, antes nas mãos do Partido Republicano do Presidente Donald Trump, está a deixar os investidores atentos ao risco de impasses em torno do tecto da dívida pública norte-americana. Segundo a Reuters, o receio é que manobras arriscadas possam desestabilizar os mercados.
Um instrumento de negociação
Os conflitos anteriores sobre o limite máximo de endividamento do Governo dos EUA já resultaram em confrontos de última hora, uma vez que os legisladores o utilizam como moeda de troca na política orçamental. Os investidores procuram agora avaliar o impacto da nova composição do Congresso nas finanças do país e na próxima ronda de negociações sobre esta matéria.
As preocupações de natureza fiscal já pesavam sobre os mercados este ano, enfraquecendo a confiança nas obrigações do Tesouro norte-americano, numa altura em que a dívida nacional ultrapassou os 40 biliões de dólares. Depois do escrutínio, os analistas traçaram cenários que tanto podem agravar os défices como ajudar a conter.
Pouco provável a curto prazo, mas com margem de pressão
É improvável que o Governo atinja o tecto da dívida até ao final do próximo ano. Ainda assim, os democratas poderão recorrer à chamada "data X", o momento em que o Tesouro deixaria de conseguir cumprir as obrigações, em negociações orçamentais ou noutras discussões com os republicanos. Não elevar o limite ameaçaria a capacidade do Tesouro de pagar as dívidas do Estado.
"Os democratas terão alguns trunfos decentes no que se refere ao tecto da dívida", afirmou Michael Reynolds, vice-presidente de estratégia de investimentos da Glenmede, empresa de gestão de património. Para Reynolds, um cenário de incumprimento é "muito improvável", mas, avisou, quanto mais se avançar por esse caminho de risco, mais preocupados ficarão os mercados.
O prazo de 11 de Dezembro
A curto prazo, as atenções viram-se para 11 de Dezembro, data limite para o Congresso chegar a acordo sobre o financiamento do Governo federal. Alguns analistas admitem que os republicanos possam aproveitar esse prazo para elevar o tecto da dívida antes de o Congresso de maioria democrata iniciar funções, no princípio de Janeiro.
Há, porém, cepticismo. Dustin Reid, estratega-chefe de rendimento fixo da Mackenzie Financial, considera que o Governo gostaria de aprovar o aumento numa sessão legislativa de fim de mandato, mas duvida que isso aconteça, "dada a magnitude da vitória dos democratas".
Com informação de InfoMoney.
