Greve nacional em França leva centenas de milhares às ruas e pressiona Lecornu

Autoridades contam 600 mil manifestantes e sindicatos 1,6 milhões. A Torre Eiffel fechou e o primeiro-ministro convocou uma conferência social para segunda-feira.
Greve nacional em França leva centenas de milhares às ruas e pressiona Lecornu

A jornada de greve e manifestações desta quinta-feira, 5, voltou a mobilizar centenas de milhares de pessoas em França, em defesa do poder de compra e dos serviços públicos. Segundo os primeiros dados do Ministério do Interior, houve pelo menos 600 mil manifestantes em todo o país. Os sindicatos falam em 1,6 milhões, dos quais 350 mil em Paris.

Números acima de protestos anteriores

Segundo a agência Notícias ao Minuto, os números oficiais, ainda não consolidados, ultrapassam largamente os 450 mil que os sindicatos estimaram no protesto de 6 de outubro, de dimensão semelhante. A estimativa sindical é comparável ao pico das grandes manifestações contra a reforma da Segurança Social, no inverno de 2023.

A paralisação foi convocada por cinco sindicatos, que se juntaram aos estudantes. Pela hora do almoço, de acordo com a RTP, mais de 250 mil pessoas estavam nas ruas de quase 70 cidades, e os representantes sindicais garantiam que este número era "apenas o início". Antes do arranque, a polícia admitia até 80 mil manifestantes em Paris e antecipava "graves distúrbios públicos".

Escolas, transportes e turismo afectados

A greve atingiu sobretudo a educação, os transportes, a administração pública, os hospitais e a actividade portuária, e o transporte ferroviário sofreu alterações. Segundo o Governo francês, cerca de 30% das universidades foram afectadas e aproximadamente 20% dos professores do ensino básico aderiram à greve.

As escolas secundárias, onde nasceu há quase dois meses a actual vaga de protestos, registaram menor adesão. O Ministério da Educação indicou que o acesso a 80 estabelecimentos foi bloqueado, 2,2% do total. Os sindicatos estimam que o número tenha chegado a mil, num universo de 3.700.

A Torre Eiffel esteve fechada todo o dia, o Louvre funcionou com algumas salas indisponíveis e o Museu d’Orsay reduziu o horário de visita.

Incidentes isolados

Em Paris, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar estudantes em vários pontos, incluindo a avenida Rivoli. A manifestação sindical principal partiu da Place de la République em direcção à Place de la Nation, num trajecto definido pelas autoridades após uma disputa com os sindicatos.

Em La Courneuve, nos arredores da capital, um estudante de 16 anos foi esfaqueado no tórax, mas não corria risco de vida. Um suspeito de 20 anos foi detido. Segundo a polícia, o ataque ocorreu numa discussão ligada ao bloqueio parcial de uma escola. Em Bordeaux, um funcionário administrativo de um liceu ficou ferido num confronto entre estudantes e pais que tentavam garantir o acesso às aulas.

As autoridades não tinham, até ao momento, reportado incidentes graves, num país ainda marcado por 17 de outubro, quando a violência urbana à margem de protestos resultou na pilhagem de pelo menos 3.000 estabelecimentos comerciais e no incêndio de edifícios públicos, como a Câmara Municipal de Limoges.

Resposta do Governo

Perante a pressão, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciou que receberá na segunda-feira, no Matignon, representantes sindicais e empresariais numa "conferência social", para procurar respostas às preocupações com o poder de compra e os salários.

Com informação de Observador, RTP — Mundo, InfoMoney, Notícias ao Minuto — Mundo.

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