Banco de Inglaterra sobe juros pela primeira vez em três anos e admite novo aumento

A taxa directora passou de 3,75% para 4%, com a inflação prevista em cerca de 5% a meio do próximo ano. O governador Andrew Bailey admite nova subida se o conflito no Médio Oriente persistir.
Banco de Inglaterra sobe juros pela primeira vez em três anos e admite novo aumento

O Banco de Inglaterra subiu, nesta quinta-feira, a taxa de juro pela primeira vez em mais de três anos e avisou que será provável pelo menos mais um aumento caso o conflito entre os Estados Unidos e o Irão continue. Com a decisão, a instituição passa a seguir um caminho que os seus principais homólogos já tinham iniciado.

Decisão com uma voz dissonante

O Comité de Política Monetária votou por 8 votos contra 1 a favor da subida da taxa de 3,75% para 4%. Ao contrário do que indicava um inquérito da Reuters, o voto divergente não veio de alguém que defendesse a manutenção dos juros, mas de quem queria um aumento maior. Catherine Mann votou por uma subida para 4,25%. No mês passado, a responsável tinha afirmado que o banco central demorou a tranquilizar os mercados quanto ao controlo da inflação.

O governador, Andrew Bailey, procurou moderar a mensagem. Segundo disse, o aumento de hoje não deve ser visto como o primeiro de uma sequência longa e inevitável, mas, a menos que o conflito no Médio Oriente seja resolvido, também não parece provável que seja o último.

Inflação deverá ficar acima do dobro da meta

O banco central estima que a inflação britânica atinja cerca de 5% a meio do próximo ano, mais do dobro da meta. No cenário central, prevê um pico médio de 4,8% no segundo trimestre de 2027. Num cenário mais adverso, em que o preço do petróleo chegue a cerca de 130 dólares por barril, a inflação poderá subir para 6,2% no terceiro trimestre de 2027.

A inflação só deverá regressar aos 2% no terceiro trimestre de 2028, seis meses mais tarde do que o previsto em Julho. As projeções anteriores tinham sido feitas durante uma trégua no conflito entre EUA e Irão, que reduzira os custos da energia.

Apesar de haver ainda poucos sinais de aceleração dos preços fora dos sectores directamente afectados pelo custo da energia, o Banco de Inglaterra considerou que a pressão resultante de meses de preços elevados justificava agora a subida dos juros.

Crescimento revisto em alta

O banco reviu em alta as previsões de crescimento económico para este ano e para o próximo, para 1,6% e 1,3%, respectivamente. A revisão segue-se a dados oficiais robustos, que a instituição atribui em parte ao investimento em inteligência artificial e a um pequeno impulso temporário do orçamento anual apresentado na semana passada pelo ministro das Finanças, John Healey.

O cenário constitui um revés para o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, que procura aliviar a pressão sobre o custo de vida.

Com informação de InfoMoney.

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