Democratas arrasam nas intercalares e Trump perde o controlo do Congresso

Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado nas eleições intercalares dos EUA. A guerra do Irão e o custo de vida pesaram no voto, e aliados europeus de Trump já se distanciam.
Democratas arrasam nas intercalares e Trump perde o controlo do Congresso

Os democratas venceram as eleições intercalares nos Estados Unidos em toda a linha: ficaram com o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado e elegeram governadores em estados inesperados, como o Texas e o Iowa. Segundo o jornal O País, as sondagens, que apontavam para uma "onda azul", ficaram aquém da dimensão do resultado.

Um voto de rejeição

A oposição apresentou candidatos escolhidos à medida de cada estado, mais ao centro nos territórios conservadores e mais à esquerda onde o eleitorado lhe é favorável. Ainda assim, o denominador comum foi a rejeição da presidência de Donald Trump.

A guerra do Irão e a consequente subida dos preços dos combustíveis, o impacto das tarifas em sectores como o dos agricultores e o desagrado com as operações do ICE entre o eleitorado latino fizeram cair a popularidade do Presidente. Muitos candidatos republicanos que tinham o seu apoio directo foram rejeitados.

O primeiro sinal chegou da Carolina do Norte, onde Roy Cooper, antigo governador do estado, ganhou ao republicano Michael Whatley, um dos poucos que se mantiveram firmemente ao lado de Trump. Seguiram-se as vitórias de Jon Ossoff, na Geórgia, e de Chris Pappas, em New Hampshire, que permitiram aos democratas conservar dois lugares fulcrais no Senado. Segundo a InfoMoney, o partido venceu também no Texas e no Kansas, estados que não elegiam um senador democrata desde 1988 e 1932, respectivamente.

Conter a Administração

Será a primeira vez que Trump, no segundo mandato, terá de lidar com os democratas a controlar as duas câmaras do Congresso. De acordo com a RTP, o partido prometeu conter a Administração, o que pode traduzir-se em vetos e impasses nos últimos dois anos de mandato. O Presidente aproveitou as primeiras horas após a derrota para exibir o salão de baile da Casa Branca, ainda em construção.

Trump reconheceu que a guerra com o Irão teve influência nas derrotas do seu partido, mas afirmou que mantém a decisão. Segundo a CNN Internacional, citada pelo G1, os republicanos procuram um bode expiatório e alguns deputados querem culpar o secretário de Defesa, Pete Hegseth, por alegadamente ter tido um papel determinante no início do conflito. A mesma fonte indica que os deputados poderão votar o seu impeachment já na próxima semana.

Aliados europeus afastam-se

O resultado teve eco na Europa. Segundo a InfoMoney, líderes da extrema-direita europeia começaram a distanciar-se de Trump, embora, em geral, evitem criticá-lo directamente.

Em França, Jordan Bardella, do Reunião Nacional, afirmou que a intervenção norte-americana no Irão tem "consequências muito graves" para as economias mundiais, sem apontar Trump como responsável. Na Alemanha, Alice Weidel, colíder da AfD, disse que a promessa de uma política externa não intervencionista foi quebrada e que isso "voltou para assombrar os republicanos". Em Itália, Matteo Salvini, da Liga, atribuiu o resultado às guerras, às tensões internacionais e ao aumento do custo de vida, e disse esperar uma aceleração rumo ao fim dos conflitos.

Com informação de O País, G1 — Mundo, RTP — Mundo, InfoMoney.

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