Democratas preparam ofensiva de investigações aos negócios de Trump

Com o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, os democratas prometem usar poderes de fiscalização contra a família Trump e a administração, de olho na corrida à Casa Branca em 2028.
Democratas preparam ofensiva de investigações aos negócios de Trump

Os democratas norte-americanos preparam uma série de investigações parlamentares a alegada corrupção envolvendo o Presidente Donald Trump, a sua família e membros da administração, depois de terem conquistado o controlo das duas câmaras do Congresso nas eleições intercalares de terça-feira. Segundo a Reuters, o tema da corrupção deverá ser central na campanha de 2028 pela Casa Branca.

Avisos logo na noite eleitoral

Ainda na noite de terça-feira, vários democratas deixaram avisos nas redes sociais. O deputado Robert Garcia, que deverá presidir à Comissão de Fiscalização da Câmara, escreveu no X: "CHAMEM UM ADVOGADO". Uma hora depois, o senador Ron Wyden, futuro presidente da Comissão de Finanças do Senado, publicou apenas a palavra "Intimações". A deputada Delia Ramirez dirigiu-se a vários responsáveis da administração com a frase "Libere sua agenda".

Os democratas optaram por conduzir investigações em vez de tentarem um impeachment imediato, segundo noticiou anteriormente a Reuters. Ainda assim, Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara dos Representantes, que deverá assumir a presidência do órgão em janeiro, não excluiu a possibilidade de um terceiro processo de destituição contra Trump.

Prioridades definidas

Jeffries encarregou Robert Garcia, da Califórnia, e Jamie Raskin, de Maryland, de coordenarem a preparação das investigações, procurando ligar a alegada corrupção governamental ao aumento do custo de vida. Identificou cinco prioridades, entre as quais os negócios da família Trump, a actuação da administração no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein e as operações do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).

Outros responsáveis democratas querem examinar projectos imobiliários associados ao Presidente, incluindo a construção de um salão de baile na Casa Branca, e o envolvimento da família em negócios ligados a recursos minerais.

No Senado, Richard Blumenthal, que deverá presidir à subcomissão permanente de investigações da Comissão de Segurança Interna, pretende analisar os projectos imobiliários de Trump na região de Washington e os negócios com criptomoedas. Entre os assuntos em análise estão as relações financeiras entre o Presidente e o enviado especial Steve Witkoff, aliado de longa data e parceiro na World Liberty Financial. Blumenthal quer ainda realizar audições sobre a fiscalização da imigração, a actuação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) e certos planos de cobertura do Medicare que considera demasiado restritivos.

Ron Wyden anunciou investigações a bancos que, no seu entender, ignoraram sinais de alerta sobre as operações financeiras de Epstein. Disse também que pretende examinar os acordos entre a administração e as farmacêuticas sobre os preços dos medicamentos.

Reacção da Casa Branca

A administração nega qualquer irregularidade. A porta-voz Lauren Bis afirmou que, se os democratas avançarem com "investigações fraudulentas e políticas de extrema-esquerda", estarão a agir contra o povo americano. Um outro funcionário, sob anonimato, lembrou que os republicanos "ainda controlam o governo federal e todos os seus poderes".

Segundo entrevistas da Reuters a cerca de uma dúzia de advogados, congressistas, assessores e consultores políticos, o empresário Elon Musk, os filhos de Trump e outros doadores e contratados republicanos poderão vir a ser envolvidos. Um representante de Musk não respondeu a um pedido de comentário; o de Donald Trump Jr. recusou comentar e o de Eric Trump não respondeu.

A advogada Rachel Cotton, especialista em fiscalização parlamentar no escritório Arnold & Porter, prevê "um grande volume de investigações agressivas e abrangentes", dirigidas tanto à administração como ao sector privado.

Com informação de InfoMoney, Notícias ao Minuto — Mundo.

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