O Banco Português de Investimento (BPI) registou um resultado líquido de 363 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, o que equivale a uma redução de 7% face ao período homólogo de 2025. O valor inclui os contributos das operações em Angola e Moçambique e surge numa altura em que o banco redefine a sua presença internacional.
Venda da participação no BFA
Em Angola, o BPI acordou, a 3 de Setembro de 2026, a venda da sua participação de 33,35% no Banco de Fomento Angola (BFA) à Congolian Financial Services Angola (CFSA). A operação representa a saída do grupo português de um mercado onde teve uma presença histórica e de onde recebeu dividendos ao longo dos anos.
O acordo prevê uma componente fixa de 345 milhões de euros, paga na data de conclusão da operação, a que se somam 43,5 milhões de euros em Maio de 2027. Está igualmente previsto um pagamento variável, correspondente a 50% do dividendo de 2026 atribuível à participação vendida, também a receber em Maio do próximo ano.
Quatro condições por cumprir
A conclusão do negócio depende do cumprimento de quatro condições:
– a autorização do Banco Nacional de Angola;
– a confirmação da Comissão do Mercado de Capitais de que a CFSA não está obrigada a lançar uma oferta pública de aquisição;
– a posição da Autoridade Reguladora da Concorrência;
– o eventual exercício do direito de preferência da Unitel.
Efeitos extraordinários e Moçambique
O contributo conjunto das participações no BFA e no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Moçambique, fixou-se em 20 milhões de euros no período, já incluindo um impacto negativo de 35 milhões de euros ligado à reclassificação contabilística da posição no banco moçambicano, registada em Junho de 2026.
A descida dos lucros consolidados é explicada por esse efeito e por um ganho extraordinário de 18 milhões de euros, resultante da reversão de contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios anteriores.
Sobre o BCI, o presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, afirmou que não há pressão para vender a participação de 35,67%. Nesse banco, a Caixa Geral de Depósitos detém cerca de 61,5% do capital. «A nossa participação é não estratégica em Moçambique e só o faremos quando houver potenciais interessados e sem pressão», declarou.
A saída de Angola marca uma mudança na estratégia internacional do BPI, controlado pelo espanhol CaixaBank, que passa a concentrar a actividade sobretudo no mercado português.
Com informação de Mercado.
