Apple recua em bolsa com custos da memória a pressionar margens

As acções da Apple caíam cerca de 4% antes da abertura, depois de o novo presidente-executivo, John Ternus, avisar que a subida do preço da memória vai reduzir as margens brutas.
Apple recua em bolsa com custos da memória a pressionar margens

As acções da Apple desciam cerca de 4% nas negociações anteriores à abertura de Wall Street, esta terça-feira, depois de a empresa avisar que o aumento dos custos da memória vai afectar as margens brutas. O alerta reforçou as preocupações dos investidores com as incertezas na cadeia de abastecimento e com o crescimento das despesas em inteligência artificial.

John Ternus, que apresentou na segunda-feira o seu primeiro relatório de resultados como presidente-executivo, classificou o cenário de preços da memória como "sem precedentes". Prevê que os custos continuem a subir para lá do trimestre que termina em Dezembro.

Receitas em alta, margens em baixa

No quarto trimestre fiscal, encerrado a 26 de Setembro, a receita cresceu 12%, para 114,5 mil milhões de dólares. A margem bruta, que mede a percentagem da receita que fica após os custos de fabrico, situou-se em 47,9%, abaixo do nível do trimestre anterior, mesmo contando com o impacto dos reembolsos de tarifas.

Para o trimestre que termina em Dezembro, a Apple espera uma margem bruta entre 45% e 46%. Esta previsão reflecte também os gastos associados à expansão da Siri, assistente impulsionada por inteligência artificial.

A fabricante do iPhone tem beneficiado de memória comprada a preços mais baixos, mas essa vantagem deverá diluir-se com o tempo, deixando uma parcela maior das compras exposta a preços mais elevados.

iPhone com receitas recorde

Apesar do alerta, a empresa registou um trimestre recorde em receitas do iPhone, mesmo com aumentos de preços e com um calendário de lançamentos escalonado, no qual apenas os modelos premium 18 Pro chegaram ao mercado nos últimos dias do ano fiscal de 2026. As vendas do iPhone totalizaram 57,58 mil milhões de dólares, acima dos 56,54 mil milhões estimados, segundo dados compilados pela LSEG. Estes valores incluem os iPhone 18 Pro, mas não o modelo Duo.

Dan Coatsworth, director de mercados da AJ Bell, considera que os comentários do presidente-executivo sugerem que "os produtos da Apple vão ficar ainda mais caros", numa altura em que os consumidores sentem o peso do aumento do custo de vida. Já William Kerwin, analista da Morningstar, vê no iPhone de topo de gama o eixo do ecossistema da empresa, de onde esta retira poder de fixação de preços, custos de mudança e efeito de rede.

Valor de mercado em risco

Se as perdas se mantiverem, a Apple poderá perder mais de 170 mil milhões de dólares em valor de mercado, face à avaliação de 4,94 biliões de dólares. As acções negoceiam a quase 35 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, contra 18,23 vezes da Alphabet e 23,43 vezes da Microsoft.

Com informação de InfoMoney.

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