Angola e a Tanzânia acordaram ligar as linhas ferroviárias que servem portos em costas opostas de África. O anúncio foi feito pela Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente angolano, João Lourenço, a 29 de Outubro, no Palácio Presidencial, em Dar es Salaam.
A proposta prevê a ligação do Corredor do Lobito, apoiado por governos ocidentais, à linha TAZARA, financiada pela China. O traçado uniria os portos da costa atlântica de Angola à costa do Índico da Tanzânia, passando pela Zâmbia e pela República Democrática do Congo. Estes dois países detêm as maiores reservas africanas de cobre e cobalto, minerais considerados vitais para a segurança económica no contexto da transição energética.
Visita de Estado histórica
João Lourenço encontra-se na Tanzânia em Visita de Estado, a primeira de um Presidente angolano ao país em quase quatro décadas, desde a de Agostinho Neto, em 1979.
Segundo Samia Suluhu Hassan, a ligação entre o Corredor do Lobito e os corredores de Dar es Salaam e Central vai facilitar a circulação de mercadorias e reforçar as ligações entre os dois países e os seus vizinhos. Os planos incluem ainda a reabilitação da TAZARA e do Caminho-de-Ferro de Benguela.
Corredores rivais, rede comum
O acordo altera a leitura geopolítica em torno das duas linhas. Ao unirem-se, os corredores, até agora vistos como rivais, passariam a formar uma rede de costa a costa, e a Zâmbia e o Congo teriam acesso aos dois oceanos sem terem de escolher entre a China e o Ocidente.
O projecto pode ser entendido como uma ilustração da tese recentemente defendida por Leslie Maasdorp, segundo a qual os países em desenvolvimento resistem às pressões para tomar partido na rivalidade crescente entre Washington e Pequim.
O anúncio surge poucos dias depois de a AfricaFinance Corporation ter escolhido os empreiteiros para vários troços da nova linha ferroviária entre a Zâmbia e o Lobito.
Com informação de Mercado.
