Embargo a Cuba: ONU volta a condenar, mas com o menor apoio em três décadas

A Assembleia Geral aprovou a resolução com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, após pressão de Washington sobre aliados. Em 2024 o resultado foi 165 a 7.
Embargo a Cuba: ONU volta a condenar, mas com o menor apoio em três décadas

A Assembleia Geral das Nações Unidas voltou a pedir o fim do embargo económico dos Estados Unidos a Cuba, mas a votação desta quarta-feira, 28 de outubro, ficou marcada por uma quebra expressiva no apoio. A resolução foi aprovada com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. Os Estados Unidos e Israel estão entre os países que votaram contra.

No ano passado, o resultado tinha sido de 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções. Segundo a Agência Brasil, este é o menor apoio ao fim do embargo em 30 anos. Países ocidentais como a Alemanha e a Itália abstiveram-se pela primeira vez em muitos anos.

Pressão de Washington

A descida está ligada a uma campanha de pressão dos EUA junto de países aliados para que rejeitassem o texto ou se abstivessem. O enviado norte-americano à ONU, Mike Waltz, mostrou-se satisfeito com o resultado e destacou que grandes economias, como a Coreia e a Alemanha, mudaram de posição. Considerou que o número de países que alteraram o voto triplicou e disse esperar que a tendência continue.

O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, afirmou na rede X que o Governo dos EUA está "mais uma vez isolado" na tentativa de "sufocar" o povo cubano. O Presidente Miguel Díaz-Canel já tinha agradecido o "apoio maioritário" da comunidade internacional e acusado Washington de pressionar nações soberanas.

Tensão no plenário

A votação foi precedida de momentos de grande tensão. Na terça-feira, durante o debate, a delegação cubana bateu nas mesas e Rodríguez gritou na direção da tribuna onde estava Waltz. O presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, repreendeu ambos e ameaçou suspender a sessão.

Nesta quarta-feira, Waltz acusou o primeiro-secretário da missão cubana, Richard Tur de la Concepción, de agredir um diplomata norte-americano e anunciou a sua expulsão dos EUA. A missão de Cuba não respondeu de imediato às questões sobre o caso.

Um voto sem efeito prático imediato

A resolução tem peso político, mas não obriga ao fim do embargo: só o Congresso dos EUA o pode suspender. O texto é aprovado anualmente há mais de três décadas, com exceção de 2020, ano da pandemia. A primeira votação, em 1992, reuniu apenas 59 votos a favor. O máximo foi atingido entre 2015 e 2017, com 191 países a favor, durante a reaproximação entre Washington e Havana no mandato de Barack Obama. Em 2016, os EUA abstiveram-se pela primeira vez.

Este ano, o texto pede também o fim do bloqueio ao fornecimento de petróleo imposto por Washington desde janeiro. Os EUA suspenderam as entregas de petróleo venezuelano à ilha depois da captura de Nicolás Maduro e ameaçaram com sanções os países que comercializem hidrocarbonetos com Havana.

Crise na ilha

Cuba atravessa a pior recessão em décadas, com escassez de bens básicos, infraestruturas em colapso e inflação elevada. A Agência Brasil refere falta de energia, combustível, gás de cozinha e medicamentos, e uma inflação este ano 25% acima da de 2025. No mês passado, a rede elétrica sofreu um colapso total, deixando milhões de pessoas sem eletricidade. Havana atribui a crise às sanções norte-americanas, enquanto Donald Trump classificou Cuba como um Estado falido.

Com informação de InfoMoney, Notícias ao Minuto — Mundo, Agência Brasil — Internacional.

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