A guerra em Gaza e o apoio dos Estados Unidos a Israel estão a motivar eleitores dos dois lados do debate numa das corridas mais disputadas das eleições intercalares norte-americanas, a do Senado no estado do Michigan. Os dados constam de reportagem da BBC News Brasil, replicada pelo G1.
Uma eleição decidida por uma só questão
Samraa Luqman, norte-americana de origem iemenita, sempre foi democrata. Ainda assim, votou na reeleição de Donald Trump em 2024, movida por uma única questão. A mesma razão define agora o seu voto nas intercalares. "É Gaza ou nada", disse ao programa The Global Story, do Serviço Mundial da BBC, acrescentando que não vota em quem não tiver uma boa posição sobre Gaza, Israel e a Palestina, seja qual for o partido.
O descontentamento de eleitores tradicionalmente democratas, como Luqman, com o apoio de Washington a Israel contribuiu para a vitória republicana no Michigan em 2024, um estado considerado decisivo. Nas primárias democratas desse ano, mais de 100 mil eleitores "não comprometidos" recusaram dar o seu apoio.
O que está em jogo
A vaga em aberto do Michigan no Senado é fundamental para determinar qual o partido que controlará o Congresso no resto do mandato de Trump. Os democratas precisam de a manter e os republicanos de a conquistar. Às vésperas da votação, marcada para terça-feira, 3 de Novembro, o resultado parece incerto.
De um lado está o médico democrata Abdul El-Sayed, que, se for eleito, será o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. Do outro está o republicano Mike Rogers, antigo agente do FBI e deputado na Câmara dos Representantes durante 14 anos.
Os custos da guerra no debate
As eleições intercalares costumam centrar-se em temas internos, como a economia e o custo de vida, mas em Michigan a guerra em Gaza tornou-se quase um teste decisivo para os eleitores. Por motivos diferentes, ambos os candidatos puseram em destaque os gastos norte-americanos no conflito. Segundo o projecto Custos da Guerra, da Universidade Brown, essas despesas ultrapassaram os 31 mil milhões de dólares nos primeiros dois anos.
Rogers, apoiado por Trump, defende que a ajuda militar a Israel, na sequência dos ataques do Hamas de 7 de Outubro de 2023, é uma questão de segurança nacional.
Com informação de BBC News Brasil, G1 — Mundo.
