Irão avalia plano do Qatar para destravar diálogo nuclear com os EUA

Teerão estuda propostas de mediação do Qatar para um acordo provisório com Washington, mas exige cedências prévias antes de negociar o programa nuclear.
Irão avalia plano do Qatar para destravar diálogo nuclear com os EUA

O Irão está a analisar propostas apresentadas pelo Qatar, na qualidade de mediador, para ultrapassar as divergências com os Estados Unidos em torno do programa nuclear iraniano. A informação foi avançada hoje por dois responsáveis governamentais do Médio Oriente, citados pela agência Associated Press (AP).

Na região, a expectativa é que as duas partes possam caminhar para negociações indirectas sobre um dos dossiês mais complexos do conflito, que dura há mais de oito meses. O Presidente norte-americano, Donald Trump, defende que esta questão tem de ficar resolvida em qualquer acordo que ponha termo à guerra.

Um acordo provisório em duas fases

Segundo autoridades da região que falaram sob anonimato, mediadores e Teerão discutiram um entendimento provisório, pensado para preparar o terreno a futuras conversações sobre o programa nuclear. A proposta, entregue recentemente às duas partes pelos mediadores cataris, prevê medidas de construção de confiança ao longo de dois dias.

Numa primeira fase, os Estados Unidos poriam fim ao bloqueio e seria libertada parte dos milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados, retidos ao longo dos anos no âmbito de uma campanha norte-americana para isolar o Irão. Em contrapartida, Teerão permitiria o acesso de inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) a instalações bombardeadas pelos EUA e por Israel.

No segundo dia, o Irão reabriria o estreito de Ormuz, ao abrigo de um acordo modificado negociado com Omã, que ainda não foi aprovado por Washington. O mecanismo seria temporário, até se chegar a um entendimento definitivo sobre a passagem, em cooperação com outros países do golfo.

Concluídas estas medidas, EUA e Irão iniciariam negociações abrangentes sobre a reserva iraniana de urânio altamente enriquecido e outros aspectos do programa nuclear.

Condições de Teerão

Uma das autoridades ouvidas pela AP sublinhou que os iranianos, pelo menos por agora, não estão dispostos a negociar a questão atómica com a administração Trump, a menos que Washington aceite várias condições. Entre elas estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções, o descongelamento de bens, o pagamento de indemnizações por danos de guerra e o fim das hostilidades em toda a região, incluindo as operações israelitas no Líbano. No passado, Trump rejeitou exigências deste tipo.

Perante os jornalistas, o líder norte-americano garantiu que as conversações continuam: "Estamos a falar com o Irão. Temos estado a falar." Trump insiste que as Forças Armadas dos EUA mantêm o controlo do conflito perante um Irão fragilizado.

Pressão política e económica

O contexto interno norte-americano também pesa. Os republicanos perderam o controlo de ambas as câmaras do Congresso nas eleições intercalares, resultado atribuído em parte ao descontentamento dos eleitores com a condução da guerra e com a subida dos preços dos combustíveis, consequência do conflito que afectou praticamente todos os sectores da economia global.

Nos últimos dias, líderes do golfo Pérsico e de outras regiões mantiveram vários contactos telefónicos para atenuar as tensões, numa altura em que crescem os receios de que Trump ainda possa ordenar novos ataques contra o Irão.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, RTP — Mundo.

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