Zelensky vê risco em nova arquitectura de segurança europeia com Moscovo

O Presidente ucraniano avisa que discutir com a Rússia um novo quadro de segurança para a Europa é "perigoso", enquanto Washington defende uma abordagem assente na soberania de cada país.
Zelensky vê risco em nova arquitectura de segurança europeia com Moscovo

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que o novo plano de segurança para a Europa, avançado pela administração norte-americana, pode ser "perigoso", por Moscovo não revelar vontade de pôr termo à guerra.

Numa entrevista à CNN, Zelensky criticou a ideia de discutir com a Rússia uma nova arquitectura de segurança europeia, considerando arriscado avançar nesse sentido sem sinais de que o Kremlin procura uma solução para o conflito. Na sua opinião, esta via é "mais perigosa para a União Europeia (UE) do que para nós", já que a Ucrânia não integra o bloco comunitário nem a NATO. Ressalvou, porém, que também constitui uma ameaça para o seu país, porque "vivemos todos na Europa".

"Não queremos uma segunda Yalta"

O líder ucraniano recorreu a uma referência histórica: "Não queremos uma segunda Yalta". A Conferência de Yalta, realizada em 1945, reuniu o soviético Josef Estaline, o norte-americano Franklin D. Roosevelt e o britânico Winston Churchill, que negociaram a configuração da Europa do pós-guerra.

Zelensky afirmou que a Ucrânia não está preparada para um formato semelhante e que não quer ser dividida pela Rússia. Sublinhou que a soberania e a integridade territorial são questões fundamentais para qualquer país independente e que, para ser livre e democrático, o país precisa, no mínimo, que os vizinhos respeitem essas duas condições.

A proposta de Washington

O alerta surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um "grande e belo acordo" sobre a Ucrânia, que poderá envolver também "toda a Europa". O genro de Trump e enviado para as negociações entre Kiev e Moscovo, Jared Kushner, explicou na rede social X que decorre um debate com vários líderes europeus sobre a necessidade de uma arquitectura de segurança mais ampla, capaz de criar condições para uma paz duradoura.

Segundo Kushner, os Estados Unidos estudam cinco objectivos para um eventual novo pacto entre a Europa e a Rússia: consultas permanentes em matéria de segurança, canais de comunicação fiáveis em situações de crise, maior transparência militar, medidas recíprocas para reduzir os riscos de escalada e um quadro duradouro para a estabilidade europeia a longo prazo.

Washington pretende que qualquer acordo respeite plenamente a soberania, a integridade territorial e a capacidade de decisão independente de cada nação, sem que algum Estado tenha direito de veto sobre as decisões de outro. Kushner assegurou ainda que a NATO continuará a ser um pilar central da defesa colectiva europeia e que a iniciativa "assentará nas instituições e nos compromissos existentes".

A proposta retoma compromissos assumidos anteriormente pela União Soviética e, mais tarde, pela Rússia, em documentos como a Acta Final de Helsínquia, de 1975, a Carta de Paris para uma Nova Europa, o Tratado sobre as Forças Armadas Convencionais na Europa e o Documento de Viena de 1990 sobre medidas de confiança e segurança.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.

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