Midterms nos EUA: o que está em jogo no Senado e na Câmara na terça-feira

Os norte-americanos votam nas eleições de meio de mandato, que decidem o controlo do Congresso e podem condicionar a agenda de Donald Trump. O Senado é a disputa mais equilibrada.
Midterms nos EUA: o que está em jogo no Senado e na Câmara na terça-feira

Os Estados Unidos realizam na terça-feira, dia 3, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O resultado vai determinar que partido controlará a Câmara dos Representantes e o Senado nos próximos dois anos, com impacto directo na capacidade de o Presidente Donald Trump aplicar a sua agenda.

O que está em disputa

Vão a votos as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos membros cumprem mandatos de dois anos, e 35 das 100 vagas do Senado, onde os mandatos são de seis anos. Das 35 cadeiras do Senado em jogo, 22 são actualmente ocupadas por republicanos e 13 por democratas.

Os republicanos entram na eleição com 53 senadores, contra 47 da oposição. Para recuperar a maioria, os democratas precisam de chegar às 51 cadeiras, o que implica virar quatro lugares e, ao mesmo tempo, defender os que estão em risco, em especial o do Michigan. Aos republicanos bastam 50, já que, em caso de empate, o vice-presidente JD Vance tem voto de desempate a seu favor.

Os estados decisivos no Senado

Os institutos de análise eleitoral apontam oito estados com possibilidade de mudança: Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio, Texas e Carolina do Norte. Também New Hampshire e Georgia, onde as sondagens recentes indicam a manutenção da cadeira democrata, entraram no radar.

No Alasca, a democrata Mary Peltola, antiga representante do estado na Câmara e a primeira nativa do Alasca eleita para o Congresso, desafia o senador republicano Dan Sullivan, que procura um terceiro mandato. A presença de um outro candidato republicano com nome quase igual, Dan J. Sullivan Jr., pode causar confusão e dividir votos.

Em Iowa, estado que Trump venceu por 13 pontos em 2024, a republicana Ashley Hinson enfrenta o democrata Josh Turek, bicampeão paralímpico de basquetebol em cadeira de rodas. Os democratas apostam no descontentamento com a economia e nos efeitos das tarifas sobre os agricultores.

No Kansas, onde nenhum democrata ganha uma eleição para o Senado desde 1932, o pastor metodista Adam Hamilton surge com vantagem de apenas um ponto percentual na média das sondagens frente ao senador Roger Marshall. No Maine, o democrata Troy Jackson tenta travar a senadora republicana Susan Collins, no cargo desde 1997, que enfrenta a eleição mais difícil da carreira.

Previsões e popularidade de Trump

O cenário é pouco favorável ao Presidente: 66% dos norte-americanos desaprovam a sua governação, o valor mais alto já registado pela sondagem Reuters/Ipsos. O modelo do "The Economist" projecta 239 cadeiras democratas na Câmara, contra 196 republicanas, com 96% de probabilidade de maioria democrata. No Senado, o modelo do BTG Pactual prevê 51 cadeiras democratas e 49 republicanas, embora a disputa seja bem mais apertada.

Quando haverá resultados

Os Estados Unidos não têm um órgão nacional que centralize a contagem, pelo que cada estado aplica as suas regras e a hora de encerramento das urnas varia. Os primeiros resultados devem surgir na noite de terça-feira, mas pode demorar dias até se saber quem controla cada câmara. Em 2022, a disputa pela Câmara só ficou definida mais de uma semana depois da votação, em parte devido ao tempo de contagem dos votos enviados pelo correio.

Com informação de G1 — Mundo.

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