Milhares de invisíveis ganham nome e rosto com nova campanha

Para muitos benguelenses, esta é a primeira vez que o Estado lhes diz: “Vocês existem”. É o fim das barreiras para a escola, para o hospital e para o emprego.

Para muitos, um pequeno cartão de plástico ou uma folha de papel com um selo branco pode parecer apenas burocracia. Mas, para milhares de cidadãos na província de Benguela, estes documentos são a diferença entre existir e ser um “invisível” perante a lei. Sob o lema da inclusão total, o Governo Provincial lançou esta semana uma das maiores campanhas de Registo de Nascimento e Emissão de Bilhete de Identidade (BI) da sua história recente.

O Fim da Era dos “Invisíveis”

A iniciativa não se limita aos balcões fixos. Brigadas móveis equipadas com tecnologia de ponta estão a “invadir” positivamente as comunidades, levando os serviços de justiça até à porta de quem mais precisa. O objectivo é claro: quebrar as correntes do anonimato.

Sem um registo, uma criança não existe para o sistema escolar; sem um BI, um jovem não pode abrir uma conta bancária, votar ou conseguir o seu primeiro emprego formal. “Um cidadão sem documentos é um homem sem voz e sem direitos. Estamos aqui para devolver essa voz ao povo de Benguela”, afirmou um dos coordenadores da brigada móvel no município da Catumbela.

Histórias de Resgate e Dignidade

O impacto humano já se faz sentir. Nas filas, o clima é de esperança. Vimos anciãos que, pela primeira vez aos 70 anos, terão um documento oficial, e mães que seguram os seus recém-nascidos com a certeza de que o futuro deles começa com um nome registado no livro do Estado.

Acesso Facilitado: A campanha elimina as barreiras da distância e do custo de transporte, levando o posto de atendimento ao coração das comunas.

Prioridade Nacional: A acção faz parte de uma estratégia macro para garantir que todos os angolanos tenham a sua identidade protegida e reconhecida até ao final do ano.

O Apelo à Acção: “Não Fique Para Trás”

As autoridades locais reforçam que esta é uma oportunidade de ouro. A campanha terá duração limitada e o apelo é para que ninguém hesite. “A identidade é o primeiro passo para a liberdade económica”, reforçam os especialistas em administração pública.

A administração de Benguela pede a colaboração de sobas, líderes religiosos e influenciadores locais para mobilizarem todos aqueles que ainda vivem à margem do sistema documental.

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