Nova coligação da oposição reúne-se no Togo

Quatro partidos da oposição e grupos da sociedade civil formaram uma coligação denominada Quadro Nacional de Consulta para a Mudança no Togo (CNCC).

Uma nova coligação dos principais partidos da oposição togolesa e grupos da sociedade civil realizou sua primeira reunião no sábado, para relançar os protestos contra as mudanças constitucionais que, segundo eles, permitem que Faure Gnassingbé consolide o poder.

Nos últimos anos, as reuniões públicas da oposição têm sido raras no Togo, sendo a última realizada há mais de um ano.

Centenas de pessoas se reuniram no sábado para o primeiro encontro na capital, Lomé.

“Era importante para o povo togolês mostrar que ainda está de pé e que não aceita o abuso da nova constituição”, disse David Dosseh, porta-voz do grupo da sociedade civil Frente Cidadã Togo de Pé (FCTD), à AFP.

“Estamos entrando em uma nova fase de mobilização”, acrescentou.

Diversas figuras da oposição, incluindo o presidente da Aliança Nacional para a Mudança (ANC), Jean-Pierre Fabre, discursaram, revezando-se na fala.

Fabre levantou o caso do popular poeta e ativista togolês Honore Sitsope Sokpor, também conhecido como Affectio, depois que ele foi preso novamente na segunda-feira, apenas alguns meses após ter sido libertado sob supervisão judicial.

Fabre classificou a situação como “detenção arbitrária” e “assédio implacável”, enquanto outros denunciaram a “má governança”.

Grupos de oposição e da sociedade civil têm criticado consistentemente a Constituição de 2024, considerando-a um meio para que Gnassingbé, no poder desde 2005, permaneça indefinidamente à frente da nação da África Ocidental.

Para o campo presidencial, a constituição garante maior representatividade.

Segundo grupos da sociedade civil, os protestos contra a medida no ano passado deixaram sete mortos.

O novo texto abole a eleição do chefe de Estado por sufrágio universal e estabelece um sistema parlamentar, sendo o cargo mais alto agora o de presidente do conselho, atualmente ocupado por Gnassingbé.

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