O Presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou na quinta-feira que comparecerá ao julgamento político no Senado e que exercerá o seu "direito à defesa". O processo decorre da crise provocada pelo encerramento do banco Ueno, à qual o chefe de Estado estaria ligado.
Na rede social X, Peña prometeu "colaborar plenamente" com as instituições competentes, para que se esclareçam os factos, se apurem responsabilidades e quem tenha infringido a lei responda perante a Justiça. Garantiu ainda que disponibilizará toda a informação que lhe for pedida e defendeu que o pagamento aos aforradores não pode ficar dependente do que lhe acontecer. "A discussão sobre a minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções que as famílias afectadas precisam", escreveu.
Presidente continua em funções
Peña permanece formalmente na Presidência. Os legisladores deixaram sem quórum a sessão conjunta convocada para quinta-feira, na qual seria votada a sua demissão, passo necessário para declarar a vacância do cargo e activar o mecanismo de sucessão. Segundo a imprensa paraguaia citada pelo G1, o Presidente chegou a tentar renunciar, mas o Congresso não aceitou o pedido.
O presidente do Senado, Basilio Núñez, do partido no poder, disse que seria convocada ainda nesse dia uma nova sessão plenária para prosseguir com o julgamento. O senador Derlis Maidana explicou que o processo terá duas fases: o reconhecimento dos deputados como procuradores acusadores, à noite, e o juramento dos senadores que constituirão o tribunal, na manhã seguinte.
Horas antes, a Câmara dos Deputados aprovara por unanimidade a acusação para submeter Peña a julgamento político. Será o segundo governante a passar por este processo na história recente do país, depois de Fernando Lugo (2008-2012), que acabou afastado do poder.
Mudança no Governo
O ministro do Interior, Enrique Riera, renunciou ao cargo e regressa ao Senado, onde poderá participar no julgamento, de acordo com o jornal ABC Color. Carlos Humberto Benítez González foi nomeado ministro interino, mantendo as funções de vice-ministro da Segurança Interna. Com o regresso de Riera, deixa a vaga o suplente Ramón Catalino Retamozo Delgado.
Origem da crise
A crise financeira e política surgiu com a intervenção no Ueno, que deixou congelados os fundos de quase metade da população paraguaia e de entidades do Estado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes, num país de 6,1 milhões de habitantes. O Banco Central detectou que o índice de solvência caíra abaixo de 50% do mínimo exigido, em consequência de ajustes às demonstrações financeiras durante o processo de regularização.
Segundo o G1, o problema esteve relacionado com empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco, e o Ueno concentrava cerca de 850 milhões de dólares norte-americanos em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña não tem aparecido em público desde que o Banco Central ordenou o processo de resolução contra o Ueno.
Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, G1 — Mundo.
