Presos brasileiros reduzem suas penas por meio da leitura.

Quando Emily de Souza, uma brasileira de 33 anos, soube de um programa que lhe permitia reduzir quatro dias de sua pena de prisão lendo um livro, ela aproveitou a oportunidade para se reconectar com um hábito querido.

Assim como dezenas de milhares de detentos em todo o país incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro ela se inscreveu em um programa de redução de pena que incentiva os presos a se dedicarem à literatura em troca da redução de suas penas em até 48 dias por ano.

A possibilidade de se reencontrar mais cedo com seu filho autista de 9 anos, que está sob os cuidados de sua mãe e tia, só aumentou sua motivação para participar do projeto. “Um dia é uma eternidade porque parece que nunca vai acabar”, disse de Souza, que está presa no Presídio Feminino Djanira Dolores de Oliveira, no Rio de Janeiro, que abriga aproximadamente 820 detentas.

O Brasil, que possui uma das maiores taxas de encarceramento per capita da América Latina, destaca-se por ter um dos sistemas de redução de pena por meio da leitura mais formalizados e abrangentes do mundo.

O programa, que cresce rapidamente, foi formalmente regulamentado pela primeira vez em 2012 e padronizado em todo o Brasil em 2021, e voltou a receber atenção no início deste ano, após o Supremo Tribunal Federal autorizar Bolsonaro que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado a participar.

Andréia Oliveira, coordenadora de prisões femininas e inclusão LGBTIQ+ nos presídios do estado do Rio, afirmou que o acesso a programas de leitura e escolas beneficia não só o indivíduo após sua libertação, mas também a sociedade como um todo.

“Quando incentivamos a educação, as atividades lúdicas e o conhecimento, devolvemos à sociedade alguém que consegue se reconectar e respeitar as regras”, disse ela.

Desde 2022, o professor de literatura Paulo Roberto Tonani realiza oficinas em presídios para que os detentos do Rio possam se beneficiar da medida.

“Nosso objetivo, que norteia tudo o que fazemos, é garantir esse direito. Primeiro, o direito de reduzir a própria pena por meio da leitura, de participar desse processo, desse projeto. E segundo, de realmente considerar o acesso à literatura. Inspiramo-nos em Antonio Candido quando ele fala da literatura como um direito, e um direito humano.”

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