O Partido Progressista Sérvio (SNS), do nacionalista Aleksandar Vucic, perdeu as eleições legislativas antecipadas de domingo, 25 de outubro, para a Lista de Estudantes, um movimento de protesto liderado por jovens. A derrota foi reconhecida pelo próprio Vucic, que, perante apoiantes na sede do partido, em Belgrado, afirmou que, "a julgar por uma amostra estratificada", estava claro que o SNS tinha perdido.
Participação mais alta em 30 anos
O escrutínio registou a maior afluência a umas legislativas nos últimos 30 anos. Às 18h locais, duas horas antes do encerramento das urnas, a participação era de 64,89%, segundo o diretor do Escritório Nacional de Estatística, Branko Josipovic.
Segundo dados ainda não oficiais nem definitivos do instituto Ipsos, a Lista de Estudantes conquistou 140 lugares no parlamento, contra 103 do SNS, que perdeu 26 deputados em relação a 2023, ano em que obteve maioria absoluta.
As eleições foram o desfecho de quase dois anos de manifestações, desencadeadas pelo desabamento de uma cobertura na estação ferroviária de Novi Sad, em 2024, que causou 16 mortos. Os manifestantes atribuem o acidente à corrupção. O movimento estudantil, que surgiu em novembro de 2024, apresentou-se com uma lista única, sem figura de destaque, composta por candidatos da sociedade civil unidos pelo objetivo de derrotar o SNS.
Vucic, figura dominante da política sérvia há 12 anos, foi primeiro-ministro entre 2014 e 2017 e Presidente durante nove anos. Dissolveu o Parlamento e convocou eleições antecipadas, uma das principais exigências dos protestos, e demitiu-se em setembro para poder candidatar-se à chefia do Governo. Vinte e quatro ONGs sérvias consideraram que não estiveram reunidas as condições para eleições "livres e justas". Os estudantes mobilizaram voluntários para acompanhar o processo, em complemento dos observadores internacionais.
Pequim reage
Na segunda-feira, a China manifestou disponibilidade para trabalhar com o novo Governo sérvio. O porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, disse que Pequim respeita o princípio da não ingerência e "a escolha autónoma dos povos de cada país", e que está disposta a trabalhar com o novo executivo "com base no respeito mútuo, na igualdade e no benefício mútuo".
Sob a liderança de Vucic, as relações entre os dois países aprofundaram-se e ambos descrevem-nas como uma "amizade de ferro". Pequim não reconhece a independência do Kosovo, enquanto Belgrado apoia a posição chinesa sobre Taiwan. Vucic visitou Pequim no final de maio, encontrou-se com Xi Jinping e acordou reforçar a cooperação.
A China é já o segundo maior investidor na Sérvia, atrás da União Europeia, e vários projetos são adjudicados diretamente a empresas chinesas por acordos intergovernamentais. Foi precisamente uma obra de renovação da estação de Novi Sad, num contrato pouco transparente atribuído a empresas chinesas, que esteve na origem do movimento.
É a primeira vez desde 2012 que o partido de Vucic enfrenta a perspetiva de perder o poder, e a forte polarização do país não permite excluir novo período de tensão política.
Com informação de G1 — Mundo, Notícias ao Minuto — Mundo.
