Rússia realizará desfile do Dia da Vitória sem equipamentos militares pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia

Pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia, o desfile do Dia da Vitória na Rússia não terá tanques nem mísseis. O Kremlin prioriza a frente de combate e a segurança. Entenda o que esta ausência de hardware militar revela sobre o estado atual do conflito no nosso portal!

O tradicional desfile russo que marca o 81º aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial acontecerá sem equipamentos militares, informou o Ministério da Defesa russo em comunicado divulgado na noite de terça-feira.

Será a primeira vez desde que Moscou lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia em 2022 que nenhum equipamento militar desfilará pela Praça Vermelha de Moscou em 9 de maio, dia em que a Rússia celebra seu feriado secular mais importante e exibe seu poderio militar.

O comunicado do ministério citou a “situação operacional atual” como motivo para excluir um comboio de equipamentos militares, bem como cadetes, do desfile. O comunicado não forneceu mais detalhes.

O desfile contará com “militares de instituições de ensino militar superior de todos os tipos e de determinados ramos das Forças Armadas Russas” e uma tradicional demonstração aérea com aeronaves militares, informou o ministério.

A Segunda Guerra Mundial é um evento raro na história conturbada do país sob o regime comunista, sendo reverenciada por todos os grupos políticos. O Kremlin, por sua vez, tem usado esse sentimento para fomentar o orgulho nacional e reforçar a posição da Rússia como potência global.

A União Soviética perdeu 27 milhões de pessoas no que chama de Grande Guerra Patriótica, entre 1941 e 1945, um enorme sacrifício que deixou uma profunda cicatriz na psique nacional.

O presidente Vladimir Putin, que governa a Rússia há mais de 25 anos, transformou o Dia da Vitória em um pilar fundamental de seu mandato e tentou usá-lo para justificar a guerra na Ucrânia.

O desfile do ano passado foi o maior desde que a Rússia enviou tropas para a Ucrânia e atraiu a Moscou o maior número de líderes mundiais em uma década, incluindo convidados de alto nível como o presidente chinês Xi Jinping, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.

O desfile contou com mais de 11.500 soldados e mais de 180 veículos militares, incluindo tanques, veículos blindados de infantaria e artilharia usados ​​no campo de batalha na Ucrânia, além de enormes lançadores de mísseis balísticos intercontinentais Yars com ogivas nucleares e drones transportados em caminhões militares. Caças também sobrevoaram a Praça Vermelha.

Putin havia declarado um cessar-fogo unilateral de 72 horas a partir de 7 de maio, e as autoridades bloquearam a internet móvel em Moscou por vários dias, numa tentativa de evitar ataques de drones ucranianos.

Em 2023, o desfile foi reduzido, com menos tropas e equipamentos militares em exibição e sem sobrevoo.

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