Jilhadistas assassinam 18 lenhadores no estado de borno

O massacre de Borno é um lembrete brutal de que, apesar das mudanças na liderança militar, a estratégia de segurança na Nigéria ainda não conseguiu garantir a proteção básica dos cidadãos nas periferias do Estado

A violência fundamentalista voltou a atingir civis no nordeste da Nigéria. Pelo menos 18 lenhadores foram mortos num ataque atribuído ao grupo jihadista Boko Haram, sublinhando a insegurança persistente para aqueles que tentam garantir a subsistência em zonas rurais fustigadas pelo conflito.

Emboscada na floresta

O ataque ocorreu numa zona florestal remota do estado de Borno, o epicentro da insurreição que dura há mais de uma década. Segundo fontes das milícias locais de autodefesa, as vítimas foram surpreendidas enquanto recolhiam lenha para venda, uma atividade económica vital numa região onde o acesso ao gás e à eletricidade é escasso.

Os sobreviventes relatam que os agressores cercaram o grupo antes de executarem a maioria dos trabalhadores. Este tipo de ataque tem-se tornado recorrente, com os jihadistas a acusarem os civis de espionagem a favor do exército nigeriano.

O “imposto” de sangue

O Boko Haram e a sua fação dissidente, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), têm intensificado os ataques contra comunidades de agricultores, pescadores e lenhadores. As motivações variam entre:

  • Retaliação: Punição por colaboração com as forças estatais.
  • Pilhagem: Roubo de mantimentos e equipamentos.
  • Controlo de Território: Impedir que civis circulem em áreas que os grupos utilizam como esconderijos.

Crise humanitária e paralisia económica

Este novo massacre exacerba a crise de fome no nordeste da Nigéria. Com o medo de ataques, milhares de produtores abandonam as suas terras, resultando numa quebra drástica da produção alimentar e no aumento inflacionário dos bens básicos.

As organizações humanitárias alertam que o estado de Borno continua a ser uma das zonas mais perigosas do mundo para o trabalho de assistência, com milhões de pessoas dependentes de ajuda internacional e confinadas a campos de deslocados protegidos por guarnições militares.

“Para estas populações, a escolha é entre morrer de fome em casa ou arriscar a vida na floresta para ganhar o pão do dia. É um dilema impossível”, afirma um representante de uma ONG local.

O impasse militar

Apesar das sucessivas declarações de vitória por parte do governo de Abuja, o exército nigeriano enfrenta dificuldades em manter o controlo permanente sobre as vastas áreas rurais e florestais. A tática de “guerrilha” dos grupos jihadistas, aliada à porosidade das fronteiras com o Chade e os Camarões, permite que os insurgentes se reorganizem rapidamente após cada ofensiva militar.

O conflito em números (2009-2026)

  • Vítimas Mortais: Estima-se em mais de 40.000 o número de mortos diretos.
  • Deslocados Internos: Mais de 2 milhões de pessoas forçadas a abandonar as suas casas.
  • Insegurança Alimentar: Cerca de 4,4 milhões de pessoas em risco crítico na região do Lago Chade.

A controvérsia cresce em Ruanda após a morte sob custódia de um crítico do governo, com grupos de direitos humanos e figuras da oposição exigindo uma investigação independente.

Aimable Karasira morreu na quarta-feira devido a uma overdose de drogas, de acordo com as autoridades ruandesas.

Mas a Human Rights Watch considerou a morte de Karasira suspeita, afirmando que cabia a Kigali provar que ele não foi morto ilegalmente.

O grupo afirmou que Karasira vinha sendo vítima de assédio e perseguição por parte das autoridades há anos.

A Human Rights Watch afirmou que diversas mortes de detidos e críticos políticos de destaque sob custódia do Estado permaneceram sem explicação por parte das autoridades ruandesas.

“O governo ruandês tem um histórico bem estabelecido de se esquivar de sua obrigação de garantir investigações transparentes e independentes sobre as mortes de detidos e críticos políticos de alto perfil sob custódia do Estado”, afirmou em comunicado.

O texto citava a morte, em 2020, numa cela policial, do cantor e crítico do governo Kizito Mihigo. Ele havia sido preso apenas quatro dias antes, quando tentava fugir do país.

O governo considerou a morte de Mihigo um suicídio.

Karasira foi preso em 2021, acusado de vários crimes relacionados à negação do genocídio e à fomentação da divisão.

Ele foi condenado por alguns crimes e absolvido de outros

Compartilhar Artigo

Artigos Relacionados