Bradesco BBI tira o pé do acelerador no Brasil e passa a neutro após rali de 13%

O banco brasileiro reduziu para neutra a recomendação para ações do país, considerando que o desconto face à média histórica quase desapareceu. Aposta agora em exportadoras e empresas de receitas previsíveis.
Bradesco BBI tira o pé do acelerador no Brasil e passa a neutro após rali de 13%

O Bradesco BBI decidiu, de forma tática, baixar de "overweight" (exposição acima da média) para neutra a sua recomendação para as ações brasileiras, depois de um mês de forte valorização dos activos do país. A decisão é assinada pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, que consideram que o rali registado após as eleições andou mais depressa do que os próximos factores capazes de sustentar novas subidas.

Segundo a fonte, a mudança surgiu após a definição da reeleição de Lula, que fez cair o fundo de índice EWZ na noite de domingo, embora a análise do banco não refira a eleição.

O desconto praticamente desapareceu

O índice MSCI Brazil acumulou ganhos de cerca de 13% em dólares em Outubro, superando o MSCI Emerging Markets, o S&P 500 e o Nasdaq. Os estrategistas mantêm uma visão construtiva a médio prazo, em particular perante a expectativa de cortes de juros em 2027, mas entendem que "a parte mais fácil da reprecificação já ficou para trás".

O argumento central é de valorização: o MSCI Brazil negoceia a 9,3 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, apenas 7% abaixo da média histórica, próxima de 10 vezes. Em Junho, esse desconto rondava os 20%. Para o BBI, novos ganhos dependerão menos da expansão dos múltiplos e mais dos resultados das empresas e dos avanços na agenda económica e fiscal.

Crescimento mais fraco em 2027

O banco antevê um enquadramento macroeconómico menos favorável. As projeções dos seus economistas apontam para uma desaceleração do PIB brasileiro de 1,7% em 2026 para 1,0% em 2027, acompanhada de aumento do desemprego, abrandamento do crédito e crescimento mais moderado das vendas a retalho. O consenso do mercado prevê uma subida de apenas 2% nos lucros por ação das empresas em 2027.

O desafio orçamental também continua em cima da mesa: a dívida bruta deverá subir de 83,6% para 88,2% do PIB, mantendo os investidores atentos à capacidade de o novo governo apresentar medidas de equilíbrio das contas públicas.

Rotação para empresas defensivas

O BBI reorganizou a carteira para a América Latina, reduzindo a exposição a títulos que beneficiaram da queda dos juros e da melhoria dos fluxos para a Bolsa. Saíram Banco do Brasil, Petrobras, B3, Equatorial, Cogna, Cyrela e EcoRodovias. Entraram Sabesp, JBS, WEG, Embraer, Suzano, BB Seguridade e Cury.

Segundo o banco, as exportadoras ganharam pouco no rali recente e oferecem receitas em dólares e proteção face a um eventual abrandamento da economia interna. Empresas reguladas, como a Sabesp, têm fluxos de caixa mais previsíveis, frequentemente corrigidos pela inflação. A BB Seguridade destaca-se por um dividend yield próximo de 10% e a Cury por um retorno sobre o património estimado em cerca de 70%.

O que pode inverter a posição

Os estrategistas sublinham que a decisão não traduz uma deterioração da visão estrutural sobre o país. O Brasil poderá voltar a ser aposta de destaque se houver uma correção relevante dos preços, um pacote fiscal considerado credível, um ciclo de redução de juros mais intenso ou o regresso dos investidores locais à Bolsa.

Segundo o relatório, os fluxos estrangeiros mantêm-se fortes, mas os investidores domésticos continuam com uma das menores alocações em ações da história recente, o que pode constituir uma fonte adicional de procura se a confiança melhorar.

Com informação de InfoMoney.

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