A confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma forte reacção negativa nos activos brasileiros negociados nos Estados Unidos. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil em Wall Street, chegou a cair 18,53% no aftermarket, a negociação fora do horário normal, para os 34,69 dólares. A referência é das 21h16 de Brasília de domingo.
Petrobras e Itaú entre as maiores quedas
O EWZ replica o índice MSCI Brazil e permite a investidores internacionais comprar, de forma conjunta, acções de grandes e médias empresas brasileiras. A queda reflectiu-se também nos certificados de depósito (ADR) de algumas das maiores cotadas do país.
Os ADR da Petrobras equivalentes às acções ordinárias (PETR3) desceram 11,96%, para 23,15 dólares. Os equivalentes às preferenciais (PETR4) recuaram 10,33%, para 21,10 dólares. O Itaú perdeu 13,65%, enquanto os ADR da Vale caíram 4,19%.
Mercado apostava noutro resultado
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a vitória de Lula não era o cenário base da casa de análise, que trabalhava com um "leve favoritismo" de Flávio Bolsonaro. O mercado, explica, via a possibilidade de uma mudança de governo e de uma agenda mais liberal. Essa expectativa tinha ajudado a Bolsa, sobretudo depois do resultado da primeira volta.
Sung considera provável uma correção nos mercados durante a semana. Admite grande volatilidade no câmbio e na curva de juros futuros, com possível tensão no mercado de títulos públicos. A segunda-feira, avisa, pode ser "bastante volátil", devido a uma "correção de rota e de ânimo".
Uma eleição histórica
Com 99,78% das urnas apuradas, Lula reunia 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro (PL). O Tribunal Superior Eleitoral anunciou a vitória do actual Presidente, que alcança um inédito quarto mandato. É também a primeira vez que um candidato que ficou atrás na primeira volta vence a segunda.
A votação foi conturbada e o encerramento das urnas foi adiado à última hora devido a problemas no transporte público. Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tinha liderado a primeira volta e procurava revitalizar o movimento de extrema-direita do pai.
Em vários momentos da campanha, a reeleição de Lula pareceu improvável, com eleitores a apontarem o desgaste do Presidente e do PT, os escândalos de corrupção do passado e a subida dos preços. Lula, que faz 81 anos na terça-feira e já é o Presidente em exercício mais velho da história do Brasil, ignorou os apelos para passar o testemunho a uma nova geração. Na campanha, destacou o historial de redução da pobreza, da fome e da desigualdade.
Com informação de InfoMoney.
