O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi reeleito no domingo, 25, com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a confirmação feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o InfoMoney, Lula ultrapassou os 64 milhões de votos, superando os 60,3 milhões que obteve no segundo turno de 2022, frente a Jair Bolsonaro. A jornada eleitoral ficou, porém, marcada por uma polémica em torno do horário de encerramento da votação.
A decisão de Zanin
Pouco depois das 17h, hora prevista para o fecho das urnas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin concedeu uma liminar que prorrogou a votação até às 19h em todo o país. A decisão, tomada às 17h01, respondeu a pedidos das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, que alegaram problemas no transporte de eleitores. Segundo o G1, também as fortes chuvas em várias regiões estiveram na origem das queixas.
Mais tarde, Zanin esclareceu que a medida só se aplicava às urnas que ainda não tinham sido fechadas. Nas restantes, os votos seriam contabilizados nos termos já definidos. O TSE, que já tinha começado a contabilizar boletins de urna, interrompeu a totalização às 17h20 e retomou-a depois.
Confusão nas seções
A sobreposição de decisões criou incerteza no terreno. Em Salvador, segundo a reportagem do Broadcast Político, algumas seções reabriram os portões cerca de meia hora após a decisão, enquanto noutras a votação terminou pontualmente às 17h, com boletins emitidos e mesários dispensados. Num dos locais, uma fiscal referiu que as urnas não tinham sido desligadas, apenas os portões fechados.
A Al Jazeera relatou o caso de uma seção onde cinco eleitores esperavam para votar e foram informados de que as urnas já estavam fechadas e não podiam ser reabertas. A responsável pelo local atribuiu o problema a orientações divergentes do TSE e do STF.
Repercussão internacional
O episódio mereceu destaque na imprensa estrangeira. O jornal português Público deu-lhe o principal destaque da capa do seu site. O argentino Clarín sublinhou que a decisão saiu à mesma hora do fecho das urnas, e o The New York Times notou que não estava claro se todos os eleitores que chegaram a tempo conseguiriam votar. O The Guardian noticiou denúncias de supressão de votos em pelo menos dez estados, com alegadas limitações no transporte público, e citou Lula, que falou de uma situação “abominável”.
Reacções após o resultado
O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, afirmou que o tribunal cumpriu a decisão nos estritos termos em que foi proferida e que “não houve nenhuma alteração” decorrente dela, dizendo ter “absoluta segurança” no processo eleitoral. Referiu ainda um elevado grau de judicialização, com 2.265 processos submetidos ao TSE relativos às eleições de 2026. Não respondeu a perguntas de jornalistas.
Flávio Bolsonaro, por seu lado, não reconhece o resultado e diz que pedirá a anulação ao TSE. Questiona a decisão de Zanin e denuncia a retirada de fiscais do PL da sala-cofre, acusações que, segundo o InfoMoney, ainda não foram comprovadas.
Com informação de InfoMoney, G1 — Mundo.
