A economia dos Estados Unidos criou 165 mil postos de trabalho em Outubro, de acordo com o relatório de emprego do Departamento do Trabalho norte-americano, divulgado na sexta-feira, dia 6. O número ficou claramente acima do que o mercado antecipava.
Previsões largamente ultrapassadas
Segundo um inquérito da Reuters a economistas, a expectativa apontava para a criação de cerca de 65 mil empregos fora do sector agrícola, num intervalo de estimativas que ia dos 35 mil aos 125 mil. O resultado final superou, portanto, a previsão mais optimista. Uma das fontes refere ainda uma projecção de cerca de 70 mil, o que mostra que o valor correspondeu a mais do dobro do esperado.
O relatório indica que a taxa de desemprego se fixou em 4,1%, ligeiramente abaixo dos 4,2% previstos. Isto aconteceu mesmo com o aumento da taxa de participação na força de trabalho, que passou de 61,8% para 61,9%.
Em Setembro, a criação de emprego tinha ficado limitada a 29 mil postos, devido a uma peculiaridade do calendário associada ao feriado tardio do Dia do Trabalho. Os dados de Agosto e Setembro foram entretanto revistos em alta, para 84 mil postos, o que eleva a média móvel trimestral de criação de emprego para 137 mil, segundo a economista Andressa Durão, do ASA.
Sector privado e salários
Dos 165 mil novos empregos, 159 mil surgiram no sector privado, o que, para Vinicius Flores, da Stratton Capital Nova Iorque, indica que a aceleração não depende do Estado. "O destaque é a qualidade do número", afirmou.
Os salários também surpreenderam: subiram 0,4% no mês e 3,1% em termos homólogos, num período de 12 meses. Para Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, o aumento dos rendimentos pode, por um lado, sustentar o consumo das famílias e, por outro, dificultar o controlo da inflação, sobretudo nos serviços.
Efeitos sobre os juros
Os analistas citados consideram que o mercado laboral robusto afasta os receios de recessão, mas levanta preocupações quanto à inflação de procura. Face a isso, admite-se que a Reserva Federal (Fed) volte a subir os juros na reunião de Dezembro, depois da pausa do final de Outubro. Até à última reunião, a Fed mostrava cautela por entender que o mercado de trabalho estava a perder força, argumento que agora se enfraqueceu.
Uma das fontes, focada no Brasil, aponta que um cenário externo mais restritivo tende a fortalecer o dólar e a reduzir a margem do Banco Central brasileiro para cortar a taxa Selic.
Ressalvas
Alguns economistas observam que os factores sazonais usados pelo Governo para eliminar flutuações nos dados foram desfavoráveis a Outubro. Segundo a Reuters, a média de criação de emprego este ano rondava os 68 mil por mês. Os especialistas estimam que a economia precisa de criar pelo menos 40 mil empregos mensais para acompanhar o crescimento da população em idade activa, valor que desceu face aos cerca de 150 mil de 2024, devido à redução da força de trabalho.
Com informação de InfoMoney.
