O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, mantém a projecção de uma inflação em torno de 8 por cento no final de 2026. Alertou, porém, que a batalha contra a subida dos preços ainda não está ganha, embora a situação esteja "suficientemente consolidada" para permitir uma flexibilização da política monetária.
O responsável falava na quinta-feira, 5 de Novembro, em Luanda, na conferência comemorativa do 50.º aniversário do banco central, dedicada ao papel dos bancos centrais na promoção da desinflação sustentável e da credibilidade da política monetária.
Desinflação sem atalhos
Segundo Manuel Tiago Dias, a redução da inflação até agora não resultou de atalhos, mas de "uma política monetária rigorosa", associada a uma comunicação orientada para a ancoragem das expectativas de inflação. O governador explicou que as decisões do banco central chegam à economia através do sistema financeiro.
A "desaceleração consistente" dos preços permitiu iniciar, de forma prudente, a flexibilização da política monetária, mantendo a taxa de juro real de política em níveis positivos.
Os números da inflação
O governador recordou que a inflação homóloga desceu de 27,5 por cento, em 2024, para 15,7 por cento, em Dezembro de 2025. A desaceleração verifica-se há mais de um ano e, desde Julho, a inflação mantém-se num dígito. Em Setembro fixou-se em 8,43 por cento, contra 18,16 por cento no mesmo mês do ano anterior.
Crescimento e sistema financeiro
Quanto ao Produto Interno Bruto, Manuel Tiago Dias lembrou que o Comité de Política Monetária reviu em alta a projecção de crescimento económico para 2026, fixando-a em 6,15 por cento. O desafio do país, ressalvou, vai além do crescimento: "Precisamos de crescer de forma sustentada, produtiva e com capacidade de gerar empregos."
Ao traçar o percurso de cinco décadas da instituição, o governador sublinhou que o país passou de uma banca predominantemente estatal e centralizada para um sistema financeiro mais diversificado, regulado e resiliente. Actualmente, operam em Angola 22 bancos comerciais, que têm o desafio de actuar como catalisadores da economia, através do crédito e do direccionamento de recursos para sectores estratégicos, "sem comprometer a qualidade dos activos nem a estabilidade financeira".
Com informação de O País.
