Derrota nas intercalares deixa Hegseth sob ameaça de destituição nos EUA

Depois da vitória democrata nas eleições intercalares, republicanos culpam o secretário da Defesa pela guerra com o Irão. Trump diz que o quer manter no cargo.
Derrota nas intercalares deixa Hegseth sob ameaça de destituição nos EUA

A derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares de terça-feira, 3, colocou o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, no centro das críticas. Parlamentares e aliados de Donald Trump passaram a responsabilizá-lo pela guerra contra o Irão, apontada pela CNN como o principal factor do mau resultado do partido, inclusive entre os próprios republicanos.

Ameaça de destituição

A situação alimentou a especulação de que Hegseth possa ser alvo de um processo de destituição (impeachment) na Câmara dos Representantes, com o apoio de parte dos republicanos. O deputado Thomas Massie, do Kentucky, prometeu à CNN, na quarta-feira, forçar uma votação logo que o Congresso retome os trabalhos, o que deverá acontecer na próxima semana. Fontes republicanas ouvidas pela emissora dizem esperar a aprovação.

Para abrir o processo basta maioria simples na Câmara. Já para condenar o secretário e afastá-lo do cargo são necessários dois terços do Senado. Os democratas conquistaram a maioria nas duas câmaras, mas só tomam posse em Janeiro; até lá, a decisão pertence à actual maioria republicana.

Massie já tinha apresentado um pedido de destituição em 15 de Setembro, numa resolução lida durante mais de uma hora no plenário. O texto acusa Hegseth de violar a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, ao manter hostilidades contra o Irão por mais de 90 dias sem autorização do Congresso. Inclui ainda os ataques a embarcações suspeitas de tráfico nas Caraíbas e a operação que capturou o então Presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Os democratas tinham apresentado artigos de destituição em Dezembro de 2025 e em Abril.

Em Dezembro, um relatório do inspector-geral do Pentágono concluiu ainda que o secretário violou normas do departamento ao enviar pela aplicação Signal os horários de ataques aéreos no Iémen.

O custo da guerra

A guerra foi iniciada pelos EUA e por Israel a 28 de Fevereiro e passou por um cessar-fogo de 60 dias que fracassou. O conflito continua sem previsão de fim. Em Outubro, o Pentágono estimou ao Congresso um custo de 47,1 mil milhões de dólares, quase o dobro dos 25 mil milhões indicados em Abril. As munições representam cerca de 30 mil milhões, e o valor não inclui a reparação de bases americanas atingidas por mísseis e drones iranianos. O Pentágono pediu ainda mais 67,1 mil milhões de dólares em verbas suplementares.

O impacto chegou às famílias: em Junho, a Moody’s Analytics estimou que o conflito custou cerca de 100 mil milhões de dólares aos lares americanos, ou 750 dólares por agregado, somando despesas militares e a subida dos combustíveis após o fecho do Estreito de Ormuz. Na véspera do escrutínio, uma sondagem Reuters/Ipsos indicou o custo de vida como tema central para 48% dos eleitores, e só 25% consideravam que a guerra valeu o custo, contra 55%.

Trump mantém o apoio

O vice-Presidente J.D. Vance afirmou que o principal motivo da perda do controlo do Congresso pelos republicanos foram os efeitos da guerra, sem apontar responsáveis. Trump continua a defender a ofensiva e diz ter "toda a intenção de manter Hegseth no cargo". O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, garantiu que o secretário "não vai recuar nem se deixar intimidar por políticos".

Na quinta-feira, num vídeo gravado na escadaria do Pentágono e publicado na rede X, o próprio Hegseth respondeu: "Tal como o Presidente, nós não recuamos, e isso vale especialmente agora."

Com informação de InfoMoney.

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