Ibovespa recua quase 3% com dúvidas fiscais e foco na decisão do Fed

A bolsa brasileira voltou a cair após a reeleição de Lula, pressionada por incertezas sobre a política fiscal, pela possível taxação de títulos isentos e pela espera da decisão de juros nos EUA.
Ibovespa recua quase 3% com dúvidas fiscais e foco na decisão do Fed

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, seguia em forte queda na quarta-feira (28), depois de uma terça-feira mais calma no mercado. Às 12h de Brasília, o indicador recuava 2,78%, para 170.828 pontos, depois de ter chegado a cair mais de 3% durante a manhã.

O movimento prolonga os ajustes registados após a reeleição do Presidente Lula. Na segunda-feira, primeiro dia de negociação depois do escrutínio, o índice tinha desabado 13,88%, o que levou ao acionamento do circuit breaker, o mecanismo que interrompe as transações em momentos de queda acentuada.

Incerteza fiscal no centro das atenções

Segundo os analistas citados pelo InfoMoney, o mercado procura sinais mais claros sobre um ajuste fiscal credível, a contenção da despesa pública, a trajetória da dívida e a definição da futura equipa económica. Otávio Araújo, consultor sénior da ZERO Markets Brasil, considera estes factores determinantes na formação dos preços dos activos domésticos.

Os analistas do Itaú BBA notam que o índice não mostra, para já, um sinal consistente de recuperação, apesar da forte correção de segunda-feira. Com o Ibovespa de volta a níveis de Agosto, avisam que a lógica de comprar após a queda não se aplica automaticamente e que convém aguardar sinais gráficos antes de procurar oportunidades.

Gabriel Gonçalves, da Ghia Multi Family Office, afirma que o mercado espera algum sinal de austeridade e que, dado o tom da disputa eleitoral na segunda volta, existe uma grande dúvida sobre se tal acontecerá.

Entretanto, a equipa económica prepara um projecto de lei complementar para que, a partir de 2027, o Governo possa controlar a despesa de modo a atingir o centro da meta de excedente primário desse ano: 73,2 mil milhões de reais, cerca de 0,5% do PIB.

Possível IOF sobre títulos isentos

Outro factor de pressão é a notícia de que o Governo estuda cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. Actualmente, a taxa de IOF nestas aplicações é zero.

Para Luciano França, da Paramis Avantgarde, esta ideia dá um tom mais negativo à bolsa, pois afecta o investidor individual e as empresas que dependem destes títulos para se financiar, nomeadamente nos sectores imobiliário e de infra-estruturas. Os bancos puxavam a queda, enquanto a Petrobras recuava pouco.

Política e juros nos EUA

No plano político, o senador Flávio Bolsonaro aterrou num aeroporto de Miami, segundo imagens da Reuters TV, depois de, de acordo com a fonte, descumprir uma decisão judicial que lhe impunha a entrega dos passaportes. Os analistas do Citi apontam como implicações a redução quase a zero das hipóteses de contestação do resultado eleitoral, o enfraquecimento do protagonismo da família Bolsonaro na direita e a menor probabilidade de novas manifestações.

No exterior, os investidores aguardavam a decisão do Federal Reserve, prevista para as 15h de Brasília. O mercado aposta na manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4%. Os rendimentos dos Treasuries continuam elevados e o petróleo em alta aumenta a pressão sobre as expectativas de inflação. Também os balanços da Microsoft e da Alphabet estavam no radar, mas, segundo Araújo, os factores internos continuam a predominar no mercado brasileiro.

Com informação de InfoMoney.

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