Sarkozy quer direita francesa aliada a Le Pen, mas Retailleau recusa

Segundo o Le Canard Enchaîné, o ex-presidente tenta convencer Os Republicanos a aproximarem-se da extrema-direita antes das presidenciais de 2027. O líder do partido, Bruno Retailleau, rejeita.
Sarkozy quer direita francesa aliada a Le Pen, mas Retailleau recusa

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy estará a mover-se nos bastidores para que o seu partido, Os Republicanos, apoie Marine Le Pen nas eleições presidenciais de 2027. A informação é avançada pelo semanário satírico Le Canard Enchaîné e foi divulgada pela Lusa.

De acordo com o jornal, Sarkozy recebeu vários dirigentes da formação de direita tradicional, entre os quais o presidente do partido e candidato à presidência, Bruno Retailleau. A proposta passa por uma aliança com a União Nacional (RN), de extrema-direita. O argumento atribuído a Sarkozy é que Le Pen vencerá a eleição e que, nesse cenário, o melhor será unir todas as forças da direita para equilibrar o projeto da RN.

Retailleau afasta aproximação

Retailleau, que não consegue subir nas sondagens, não parece disposto a aceitar a sugestão. Em declarações à CNews, o ex-ministro do Interior afastou qualquer aproximação a Le Pen, por considerar que "o projeto dela não é bom para França".

Reconheceu pontos de convergência com a extrema-direita, nomeadamente em matérias como a segurança e a imigração. Mas sustentou que o programa da RN assenta em "fomentar os subsídios", o que, na sua opinião, acabará por "arruinar o país" — uma visão que choca com o seu próprio projeto liberal.

Lisnard poderá estar recetivo

A mensagem de Sarkozy parece ter tido mais eco noutras figuras. Segundo o Le Canard Enchaîné, o presidente da Câmara de Cannes, David Lisnard, candidato dissidente que surge nas sondagens um pouco abaixo de Retailleau, estará disposto a aproximar-se da extrema-direita. O semanário fala num plano engendrado por Sarkozy e pelo magnata Vincent Bolloré.

Marine Le Pen tem enviado, há semanas, sinais à direita tradicional para que se junte ao seu projeto. No domingo, no comício de lançamento da campanha, em Orleães, afirmou que, se chegar ao Palácio do Eliseu, nomeará um Governo de unidade nacional chefiado pelo seu braço-direito, Jordan Bardella. Hoje, a líder da extrema-direita prometeu ainda um governo "pluralista" e consagrar "a comunidade nacional" na Constituição, caso seja eleita em abril.

A questão judicial de Sarkozy

O semanário aponta como uma das motivações de Sarkozy a possibilidade de obter uma amnistia de Le Pen, caso esta conquiste a presidência. A 30 de novembro, o ex-presidente conhecerá a sentença em segunda instância no processo sobre o alegado financiamento ilegal da campanha de 2007 com dinheiro do regime líbio de Muammar Kadhafi. Em primeira instância foi condenado a cinco anos de prisão, tendo passado três semanas detido, algo que nenhum ex-presidente francês tinha vivido. O Ministério Público pede agora o agravamento da pena para sete anos.

Se for condenado, será a segunda pena de prisão efetiva, somando-se à de um ano por tráfico de influências e corrupção e à de seis meses pelo financiamento ilícito da campanha de 2012.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.

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