Colisão de comboios em Toledo deixa 68 mortos e Espanha em luto nacional

Choque entre dois comboios de alta velocidade em Urda elevou para 68 o número de mortos. O Governo fala em ordem "inexplicável" dada a um dos comboios e decretou três dias de luto.
Colisão de comboios em Toledo deixa 68 mortos e Espanha em luto nacional

O número de mortos no acidente ferroviário de Urda, na província de Toledo, subiu para 68, segundo as autoridades espanholas. O balanço anterior apontava para 64 vítimas mortais, mas as autoridades regionais alertam que o número pode voltar a aumentar, devido à existência de feridos em estado grave.

O embate ocorreu pouco antes das 9h00 locais (8h00 em Lisboa), na linha Madrid-Sevilha, e envolveu um comboio da Renfe e outro da Iryo. Os dois comboios transportavam mais de 540 pessoas. Segundo o presidente de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page, foram assistidas 53 pessoas com ferimentos moderados e 15 com ferimentos graves, além de outras com ferimentos ligeiros. Num balanço anterior, tinha indicado 40 mortos no comboio da Iryo e 24 no da Renfe.

Uma ordem "inexplicável"

O ministro dos Transportes, Oscar Puente, explicou que, por volta das 8h30, uma falha no sistema automático de segurança, ligada a problemas nas redes de comunicação, imobilizou todos os comboios num troço de 63 quilómetros. O controlo da circulação passou então para um centro em Madrid.

Às 8h36, um comboio AVE da Renfe recebeu ordem para "retomar a marcha com normalidade" e acabou por embater no comboio da Iryo, que permanecia parado à entrada da estação de Urda. Segundo Puente, o AVE devia estar obrigatoriamente parado e havia ainda um sinal vermelho a impedi-lo de avançar. O comboio percorreu cerca de 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes da colisão.

O ministro classificou a indicação do centro de controlo como "inexplicável" e o acidente por alcance como "verdadeiramente inverosímil" na rede ferroviária espanhola.

Luto e investigação

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, deslocou-se ao local, declarou três dias de luto nacional e prometeu ir "até ao fim" na apuração das causas. "Se houve negligência, será conhecida", afirmou. Sánchez sublinhou ainda que não é aceitável que Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano.

O outro acidente foi o de Adamuz, na Andaluzia, a 18 de janeiro, que causou 46 mortos e 152 feridos e continua a ser investigado.

No terreno, vão ser mobilizadas equipas cinotécnicas para procurar eventuais sobreviventes entre as carruagens destruídas. Segundo a agência EP, aguardava-se ainda autorização judicial para prosseguir a investigação sobre a possibilidade de haver mais vítimas.

Reação europeia

A Comissão Europeia está a acompanhar a situação com a Agência Ferroviária da União Europeia e declarou-se disponível para apoiar as autoridades espanholas. A porta-voz Paula Pinho considerou, no entanto, "demasiado cedo para tirar quaisquer conclusões". Bruxelas pode prestar apoio técnico e, se necessário, mobilizar serviços europeus de proteção civil e ajuda humanitária.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, RFI Português, RTP — Mundo.

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