A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) manteve inalterada, na quarta-feira, 28, a taxa de juro de referência na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A decisão confirmou as expectativas do mercado financeiro e foi tomada a poucos dias das eleições intercalares de 3 de novembro, que vão determinar o controlo do Congresso.
Inflação continua a limitar a margem de manobra
Na reunião anterior, em setembro, o Fed tinha subido os juros em 0,25 pontos percentuais, a primeira subida em mais de três anos. Desde então, a escalada do preço do petróleo, no contexto das tensões no Médio Oriente, tem mantido a inflação como preocupação central da instituição.
O índice de preços no consumidor (CPI) acelerou para 3,7% em termos homólogos até setembro, bem acima da meta de 2% do banco central. Segundo a Reuters, citada pelo InfoMoney, responsáveis do Fed tinham sinalizado antes da reunião que a instituição podia mostrar paciência após a subida do mês passado. Os mercados concentram agora a atenção no provável ritmo e dimensão de futuras subidas, que os investidores consideram inevitáveis face à força da inflação.
Economistas e vários responsáveis do Fed apontam várias causas para a pressão sobre os preços: o choque persistente nos custos da energia, associado à decisão de Donald Trump de atacar o Irão, os efeitos remanescentes das tarifas aduaneiras, a forte procura ligada ao sector da inteligência artificial e o consumo sólido das famílias.
Pressão política sobre Trump
Foi a 15.ª decisão desde que Trump iniciou o segundo mandato, em 20 de janeiro de 2025, e a quarta sob a liderança de Kevin Warsh, indicado pelo Presidente para chefiar o Fed. Warsh tomou posse a 22 de maio, após meses de atritos entre Trump e o anterior presidente, Jerome Powell. Desde o início do mandato, o Presidente critica os juros elevados e defende cortes. Entretanto, as taxas foram reduzidas quatro vezes, antes de voltarem a subir em setembro.
O cenário económico pesa sobre a Casa Branca. Um inquérito Reuters/Ipsos divulgado na segunda-feira, 26, indicou que Trump tem 32% de aprovação e que 73% dos inquiridos consideram que o custo de vida evolui na direção errada. As eleições vão renovar todos os lugares da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, e os republicanos tentam manter a maioria nas duas câmaras. Perdê-la em qualquer uma delas poderá dificultar a agenda de Trump nos dois últimos anos de mandato.
Efeitos nos mercados globais
Com os juros em níveis elevados, os títulos do Tesouro norte-americano continuam atrativos para investidores estrangeiros, o que canaliza capital para os EUA e fortalece o dólar. Segundo o G1, este movimento tende a reduzir o investimento estrangeiro no Brasil e a desvalorizar o real, o que aumenta a pressão inflacionista e favorece a manutenção de juros altos por parte do banco central brasileiro.
Com informação de G1 — Mundo, InfoMoney, Observador.
