A Oracle comprometeu-se a não ir buscar mais de 20 mil milhões de dólares (cerca de 20 bilhões, na escala brasileira usada na fonte) em financiamento adicional para inteligência artificial até ao ano fiscal de 2030. A promessa visa tranquilizar os investidores, preocupados com o modo como a empresa de Larry Ellison pagará a expansão agressiva dos seus centros de dados. Após o anúncio, as ações da tecnológica avançaram mais de 12%, e outros títulos do setor da computação em nuvem também subiram.
O anúncio foi feito no dia do investidor da Oracle, em Las Vegas, pela diretora financeira, Hilary Maxson. A responsável afirmou que a empresa espera que os gastos de capital atinjam o pico no atual e no próximo ano fiscal, à medida que amplia a capacidade de computação em nuvem.
Fluxo de caixa e dívida
Segundo Maxson, o fluxo de caixa livre deverá voltar a ser positivo no segundo semestre do ano fiscal de 2028 e ultrapassar os 30 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2029, altura em que os gastos de capital deverão diminuir. A Oracle prevê deixar de depender de financiamento externo para sustentar o crescimento a partir de 2029, com a dívida líquida abaixo de 3,5 vezes o lucro operacional anual.
Até lá, a empresa conta que o financiamento de fornecedores, a utilização de equipamento fornecido pelos clientes e os pagamentos antecipados reduzam as necessidades de caixa. A Oracle já tinha anunciado este ano que levantaria 40 mil milhões de dólares através de dívida e emissão de ações no exercício em curso, incluindo uma oferta de ações de 20 mil milhões concluída no primeiro trimestre.
"Já dissemos que precisamos de financiamento adicional de até 20 mil milhões de dólares para o restante do ano fiscal de 2027", disse Maxson, acrescentando que esse montante, repartido em partes iguais entre dívida e capital próprio, é o valor final necessário para este ciclo.
A 31 de agosto, a Oracle tinha 125,34 mil milhões de dólares em títulos e empréstimos, contra cerca de 36,37 mil milhões em caixa e equivalentes. Os contratos de credit default swap a cinco anos, que medem o custo de proteção contra um eventual incumprimento, recuaram ligeiramente para 287,2 pontos-base.
Dependência da OpenAI
A Oracle tornou-se um dos principais focos de preocupação quanto ao custo crescente da infraestrutura de IA. Não tem a mesma base de receitas de gigantes da nuvem como a Microsoft e a Amazon e depende bastante de um único cliente, a OpenAI, criadora do ChatGPT, que ainda opera com prejuízo. A parceria acrescentou centenas de milhares de milhões de dólares à carteira de encomendas de nuvem da empresa, mas obrigou-a a recorrer fortemente a dívida e à emissão de ações.
Para o ano fiscal de 2030, a Oracle projeta receitas superiores a 225 mil milhões de dólares, margem operacional ajustada acima de 40% e lucro ajustado superior a 21 dólares por ação. Para 2027, reafirmou receitas acima de 90 mil milhões e lucro ajustado de 8,10 dólares por ação.
Jacob Bourne, analista da Emarketer, considerou que a Oracle tenta mostrar que existe "um método por trás da aparente loucura" dos gastos. Ressalvou que as projeções são ambiciosas e "longe de serem garantidas", mas oferecem um caminho otimista para responder às preocupações dos investidores.
Com informação de InfoMoney.
