Rússia alerta para novos ataques dos EUA ao Irão e oferece-se como mediadora

Moscovo diz-se "extremamente preocupada" com sinais de nova ofensiva norte-americana contra o Irão e reitera disponibilidade para apoiar a mediação, em plena guerra no Médio Oriente.
Rússia alerta para novos ataques dos EUA ao Irão e oferece-se como mediadora

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia manifestou preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a atacar o Irão. A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, considerou "extremamente preocupantes" os sinais de que estarão a ser planeadas novas acções militares contra a República Islâmica e defendeu a intensificação dos esforços diplomáticos para normalizar a situação.

Zakharova afirmou que Moscovo apoia o trabalho dos mediadores e facilita o processo negocial. A Rússia reiterou ainda a disponibilidade para contribuir tanto na procura de soluções aceitáveis para todas as partes como na sua posterior implementação. No início de Outubro, o Presidente russo, Vladimir Putin, já tinha garantido ao homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, que o país estava pronto a participar na mediação entre Teerão e Washington.

Ameaças de Trump antes das intercalares

No domingo, durante um comício no Iowa e a poucos dias das eleições intercalares de terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou lançar novos ataques contra o Irão. Em simultâneo, órgãos de comunicação social dos Estados Unidos noticiaram que Trump discutiu com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a hipótese de retomar os bombardeamentos.

A publicação norte-americana The Atlantic traçou vários cenários que Washington poderá ponderar depois das intercalares, entre os quais ataques ao programa nuclear e às infraestruturas militares iranianas. A revista não exclui, contudo, uma solução diplomática.

Uma guerra com meses

O conflito no Médio Oriente começou a 28 de Fevereiro, com ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão. Teerão respondeu com ofensivas contra Israel e instalações norte-americanas na região, e restringiu o tráfego marítimo no estratégico estreito de Ormuz.

O Qatar e o Paquistão têm sido os mediadores nos esforços para retomar as negociações de paz, depois de um cessar-fogo alcançado em Abril. As diligências não resultaram, porém, num acordo duradouro. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse na quarta-feira que Teerão discutia com os dois mediadores um plano para terminar a guerra e reabrir o estreito de Ormuz.

Entretanto, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, o que limita ainda mais a capacidade do Irão de exportar petróleo e de realizar trocas comerciais. Para reabrir o estreito, Teerão exige, entre outras condições, um cessar-fogo em todo o Médio Oriente, o descongelamento dos bens iranianos no estrangeiro, o levantamento de sanções e o fim do bloqueio naval norte-americano.

Contactos entre Teerão e Moscovo

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, falou com Putin sobre a guerra no Médio Oriente, segundo a agência estatal iraniana, que não adiantou pormenores da conversa.

Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo.

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