O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que as eleições intercalares de terça-feira são as mais importantes da vida dos americanos, numa tentativa de última hora de mobilizar os apoiantes. O discurso decorreu em Washington, junto ao espelho de água do Memorial Lincoln, cuja renovação Trump ordenou.
"Estamos na véspera das eleições de meio de mandato, as mais importantes, eu acho, das nossas vidas", disse. Antes de chegar a esse ponto, dedicou cerca de vinte e cinco minutos a elogiar as obras na capital, entre elas a renovação do espelho de água, novos relvados, um heliponto na Casa Branca e a futura construção de um grande arco. A intervenção durou quase uma hora.
Ataques aos democratas
Trump acusou o Partido Democrata de ter escolhido "os candidatos mais radicais e perigosos da história dos Estados Unidos". Chegou a classificar alguns deles como "jihadistas e membros da Irmandade Muçulmana", uma acusação infundada que já tinha repetido durante a campanha contra Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo Michigan. Se for eleito, El-Sayed será o primeiro senador muçulmano da história do país.
O Presidente encerrou uma campanha intensa, com 25 comícios em vários estados, sobretudo em bastiões republicanos que, segundo as sondagens, se inclinam para os democratas, como o Texas, o Iowa e o Kansas.
O que dizem as projecções
O modelo do Decision Desk HQ dá 84% de probabilidades de vitória aos democratas na Câmara dos Representantes, mais cinco pontos do que uma semana antes. No Senado, os democratas têm 65% de hipóteses de recuperar a maioria, mais oito pontos percentuais do que há sete dias. A última projecção da empresa aponta para uma maioria democrata de 52-48 no Senado e de 241-194 na Câmara.
Para controlarem o Senado, os democratas precisam de conquistar quatro lugares. As sondagens indicam uma vantagem curta em cinco estados, alguns tradicionalmente conservadores, como o Texas.
O contexto é de queda de popularidade do Presidente: 66% dos americanos desaprovam a sua governação, o valor mais alto já registado pela sondagem Reuters/Ipsos.
O que está em jogo
Serão renovados os 435 lugares da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 assentos do Senado, além de dezenas de governos estaduais e de cargos locais. Os deputados cumprem mandatos de dois anos e os senadores de seis.
Se vencerem nas duas câmaras, os democratas pretendem abrir investigações ao Presidente, ao Governo e à família de Trump, tentar travar nomeações e bloquear o financiamento da guerra no Irão. A ala socialista do partido quer ainda debater o futuro do ICE, o serviço de imigração. Os republicanos esperam, no mínimo, manter o controlo de uma das câmaras.
A votação antecipada já bateu um recorde, com 53 milhões de pessoas a votar. David Becker, do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral, admitiu à CBS que a participação total possa também ser recorde.
Com informação de Notícias ao Minuto — Mundo, G1 — Mundo, RTP — Mundo.
