O acordo, assinado sob a mediação do presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as esperanças de que décadas de conflito na região rica em minerais finalmente dariam lugar à estabilidade. Mas em Goma, uma cidade estratégica que permanece sob o controle do grupo rebelde M23, muitos moradores dizem que a violência continua desenfreada.
“Quando foram assinar o acordo, ficamos felizes porque pensamos que a guerra ia acabar”, disse Delphin Kulongwa, morador de Goma. “Mas, na prática, é o contrário. Continuamos a sofrer. Esses acordos não produziram absolutamente nenhum resultado.”
Sua frustração é compartilhada por muitos na cidade.
“A República Democrática do Congo e Ruanda assinaram o acordo, mas desde que soubemos dele, há um ano, nada mudou”, disse outro morador, Elysé Gisanagabo. “Eles assinam esses acordos e voltam sem nenhuma solução concreta.”
O conflito no leste da República Democrática do Congo deslocou milhões de pessoas e desencadeou uma das crises humanitárias mais graves do mundo. Apesar dos repetidos esforços diplomáticos, os confrontos entre as forças governamentais, os rebeldes do M23 e outros grupos armados persistem.
A analista política independente Jacinthe Maarifa acredita que a falta de confiança entre as partes continua sendo o maior obstáculo à implementação do acordo.
“Sem confiança, é muito difícil para qualquer uma das partes honrar seus compromissos”, disse Maarifa. “Apenas alguns dias após a assinatura do acordo, ambas as partes já o interpretavam para atender aos seus próprios interesses. Continuaram a usar retórica inflamatória, e isso não contribui em nada para construir confiança.”
Maarifa argumenta ainda que o processo de paz foi enfraquecido desde o início.
“Houve ações que, de uma forma ou de outra, minaram o acordo, incluindo sanções impostas a uma das partes pelos mediadores”, disse ele. “Era um acordo fadado ao fracasso, e isso ficou claro rapidamente. Um ano depois, ainda não temos paz.”
Enquanto o leste do Congo continua a lidar com a insegurança, os moradores dizem que estão olhando além das declarações diplomáticas e esperando, em vez disso, por melhorias significativas em suas vidas diárias.
Para muitos em Goma, um ano após o acordo de Washington, a paz continua sendo mais uma promessa do que uma realidade.
