O primeiro-ministro da Guiné, Amadou Oury Bah, rejeitou as alegações de que a China está atraindo os países africanos para uma “armadilha da dívida”, argumentando que os desafios de desenvolvimento do continente decorrem mais da governança interna do que de suas parcerias internacionais.
Em declarações feitas à margem da Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Econômico Mundial em Dalian, na China, Bah afirmou que os governos africanos devem assumir a responsabilidade principal de garantir que as parcerias para o desenvolvimento tragam benefícios tangíveis aos seus cidadãos.
Amadou Oury Bah, Primeiro-Ministro da Guiné:
“Permitam-me ser mais explícito. A questão mais crucial é se os governos africanos, especialmente o nosso, têm o discernimento e a sabedoria necessários para encontrar as melhores maneiras de transformar as oportunidades de desenvolvimento em benefícios reais para o nosso povo e o nosso país. Por outro lado, se alimentarmos a ilusão de que podemos alcançar o desenvolvimento simplesmente cooperando com a China, ou de que outros trarão oportunidades de desenvolvimento diretamente à nossa porta sem que tenhamos qualquer responsabilidade ou façamos os esforços necessários, então esse pensamento é claramente irrealista e não atende aos nossos melhores interesses.”
Bah afirmou que, embora a cooperação internacional possa criar oportunidades, o sucesso depende, em última análise, de como os governos africanos gerenciam essas oportunidades por meio de uma governança sólida e instituições eficazes.
Ele argumentou que os países que não conseguem aproveitar as parcerias para o desenvolvimento muitas vezes atribuem a culpa à dívida ou a atores externos, em vez de abordarem as deficiências internas.
O primeiro-ministro também destacou a longa relação da Guiné com a China. A Guiné foi o primeiro país da África Subsaariana a estabelecer relações diplomáticas com Pequim, em 1959, e os laços econômicos têm se expandido de forma constante ao longo das décadas. O comércio bilateral ultrapassou os 18 bilhões de dólares americanos em 2025, refletindo a crescente cooperação entre os dois países.
As declarações de Bah surgem num momento em que o papel da China no financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento em toda a África continua a gerar debates sobre a sustentabilidade da dívida e o impacto a longo prazo dos empréstimos chineses no continente.
